Uma História Como de Um Conto de Fadas

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 11 de novembro de 2022

Original tcheco: Príbeh Ako Z Rozprávky · cesta-gralu.cz

O nosso conto de fadas de hoje passa-se num mundo mais fino do que aquele que o olho humano vê. Apesar disso, porém, é suficientemente denso para formar uma passagem e, para muitos, também uma parada por um tempo mais longo, depois que deixam o corpo terreno. Aquele corpo que ainda há pouco caminhava por este pequeno planeta Terra, na parte do mundo Ephesus, constituído do pó do seu solo. Cada um que alguma vez peregrinou num corpo pela Terra terá de passar por este mundo, mas também aqueles que já não têm corpos, mas que contribuíram para a formação deste mundo e lhe forneciam energia e força. Este mundo é chamado também mundo dos pensamentos, porque é formado pela soma dos pensamentos e das diversas formações criadas a partir deles. Um tal mundo dos pensamentos envolve também a Terra, e encontramos aqui muitos mundos e aglomerações de pensamentos de diversas espécies. Estas atraem e fortalecem pensamentos da mesma espécie e, com as pessoas que pensam desse modo, formam um grande ciclo que se fortalece mutuamente. Muitas pessoas há muito deixaram de viver a sua vida real, mas formam mundos, castelos no ar, que um dia estarão à sua espera. Cada ser humano encontra nesses mundos o que é seu: desde os sonhadores até os amantes, assim como pessoas entregues a diversos vícios, mas encontramos aqui também mundos inundados de luz, que apoiam o esforço dos homens pelas alturas e pelo bem

Todos nós, os participantes, somos os criadores dessas diversas espécies de mundos e ao mesmo tempo somos também os seus pequenos reis e rainhas. Mas como procedemos com o reino que nos foi confiado? Muitas vezes somos como aquele rei orgulhoso que tinha várias filhas e lhes perguntava o quanto o amavam. Muitas delas nos bajulavam – as férias, um carro caro, roupas luxuosas, a entrada na política, o domínio sobre outras pessoas e muito mais. Nós as alimentávamos e lhes dávamos energia até que cresceram e se tornaram filhas exteriormente magníficas, pelas quais o seu pai estava disposto a fazer qualquer coisa que lhes lesse nos olhos. Sacrificamos por elas energia e força em demasia, pois sempre que obtínhamos algo disso, vinha um modelo mais novo e melhor, ou, com o anseio por algo, crescia também o nosso apetite. São mundos inteiros e grandes aquilo a que os homens se entregam em sua vida, e é inútil enumerar tudo. Do mesmo modo, pode tratar-se também de passatempos exteriormente inofensivos, se o ser humano lhes dedica energia demais e negligencia justamente algo muito mais importante. Fortalecemos com isso poderosas centrais que atraem magneticamente para si tudo o que é da mesma espécie, estas por sua vez o fortalecem e pelo mesmo trajeto o enviam de volta fortalecido. Assim o ser humano está preso como numa teia de aranha, da qual muitas vezes não há retorno. Por outro lado, diz sempre a si mesmo que com isso não faz nada de mal, pois exteriormente não matou ninguém, nada roubou, vai à igreja e tudo está em ordem. Assim esse seu mundo sutil se fortalece, ele passeia nele num carro caro, tudo lhe pertence, todos o admiram e ele vive como um rei

Todo ser humano, porém, tem ainda uma filha, que negligencia ao lado das outras. Esta não tem vestidos tão bonitos e não usa colares nem anéis como as outras. O papai rei mal se lembra dela, visto que ela o ama apenas como aquele sal que não presta. É verdade que não a expulsou do reino, mas expulsou-a da sua vista. Nada quer saber dela, nem se interessa por ela. Ela parece exteriormente arrumada e pura, e do seu interior irradia uma poderosa força espiritual cheia de bondade. Esforça-se por atravessar com seu brilho todos os envoltórios que o rei orgulhoso – cada ser humano – tem sobre si. Se ele se abrisse à força dela, há muito se guiaria pela intuição e não formaria mundos de pensamentos sem sentido e sombrios. Ela o ama com o amor mais puro, e o bem dele lhe está constantemente no coração. Essa filha é a pequena centelha espiritual, envolta em diversos lastros que não lhe permitem manifestar-se. Espera pelo tempo em que lhe será permitido resplandecer e encontrar a ligação com os lugares de onde um dia veio para esta Terra. Ela é eterna, seja com consciência adquirida, seja também sem ela. Esforça-se ininterruptamente pela ligação com o lugar de sua origem e crê que chegará o tempo em que o seu rei reconhecerá os valores reais, que criará não apenas no mundo invisível do conto de fadas, mas também no mundo real. Segura na mão um saquinho de sal, do qual sabe que é justamente esse o presente pelo qual o seu papai rei espera e por causa do qual a lançou ao esquecimento

Por enquanto, porém, toda a força vital de que o pai rei dispõe dirige-se às suas irmãs, que desfrutam de todos os prazeres deste mundo, dos quais aquela última irmã sabe que não terão longa duração. Ela, porém, envia constantemente raios de fortalecimento e procura a ligação com o reino ao redor, para que o seu pai rei desperte. Sabe que a mudança já está próxima e que tudo em breve mostrará os seus frutos. Do mesmo modo tem consciência de que todo aquele que está sem sal começará, mais cedo ou mais tarde, a adoecer. Não muitos sobreviverão a este tempo, mas justamente àqueles em quem surgir o anseio pelo sal, o único que dá força e põe em fluxo o movimento espiritual, será permitido serem salvos

Na nossa Terra existem felizmente também reis sábios. Eles conheceram bem a filha que resplandece com o maior amor, e esse amor, por um lado, retribuem à filha e, por outro, apoiam as terras e os mundos do reino maravilhoso onde se fortalece o anseio pelo bem e pela luz. Estes, no efeito recíproco, voltam para eles e dão-lhes um fortalecimento elevado em seu caminho. Esses reis, por seu agir, difundem o bem ao seu redor e, por sua sintonização, cuidam para que o saquinho de sal nunca diminua e seja capaz de saciar todos aqueles que estendem para ele a mão num pedido puro e sincero

Tende cuidado, todos vós que substituís a falta do verdadeiro sal por diversos brinquedos desnecessários e perdeis assim um tempo precioso. Da ampulheta escorre a cada segundo a areia, e tudo se dirige para o ponto da batida do sino. Do sino da nova era para aqueles que conheceram o encanto do sal da vida, com o qual eles próprios se fortalecem e que ao mesmo tempo oferecem ao redor, difundindo o conhecimento de sua atuação vivificadora

Que o nosso reino resplandeça com o reflexo da luz e atraia ao repouso e à renovação das forças todo aquele que nele encontrar descanso em seu caminho às alturas