Que a Genuína Intuição Espiritual Rompa Finalmente Em Cada Ser Humano os Muros do Intelectualismo Utilitário Terreno

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 24 de julho de 2023

Original tcheco: Nechť Konečně Ryzí Duchovní Cit Prolomí V Každém Člověku Zdi Pozemsky Účelové Rozumovosti · cesta-gralu.cz

O mundo de hoje é, para o verdadeiro fundamento espiritual do ser humano, apenas uma prisão prolongada e indigna

Isso se deve ao modo de vida que aqui predomina

Por sua configuração, quase tudo na vida dos homens na Terra está distante da verdadeira liberdade espiritual

Ainda que tudo isso seja visível a um olhar mais atento, numa observação um pouco mais desperta, a maioria das pessoas não tem consciência desse estado

Esse grave cerceamento da liberdade espiritual dura já há milênios

Apesar de tudo, isto é, apesar de sua clareza e evidência, essa indigna falta de liberdade espiritual no agir cotidiano é percebida apenas por poucas pessoas, que são capazes de pressenti-la graças ao fato de se esforçarem, aqui e ali, por se elevar acima da pesadez do estado da maioria

Para essa parte mais receptiva das pessoas, porém, isso é infelizmente, na maioria das vezes, apenas motivo para uma luta desesperada sem grande resultado

Do ponto de vista espiritual é terrível saber que cada ser humano, pelo estado permanente do cerco intelectual do mundo terreno, é de alguma forma limitado nas manifestações de seu querer espiritual interior

Sem que tenhamos consciência disso, em todos os nossos planos e objetivos de vida aqui na Terra estamos sempre inteiramente sujeitos ao domínio intelectual até agora vigente do mundo material

Não vivemos como o nosso espírito quereria em seu sentir intuitivo, mas vivemos segundo as regras adotadas do mundo daqui

As trevas não poderiam desejar nada melhor do que os homens, a cada encarnação repetida para vivenciar a vida na Terra, se enredarem sempre de novo na configuração intelectual de seu pensar, e isso com tanta força que, por si mesmos, acabem por supor que nem sequer é possível fazê-lo de outro modo

Por mais diversas, portanto, que tenham sido as etapas históricas de vida que até agora reinaram na Terra, nelas os homens, durante a sua existência terrena, sempre se afundaram profundamente na matéria, pois ao nascer assumiram também todas as formas que, na época dada, valiam como condições determinantes para o tipo de pensar e de agir na respectiva sociedade

No fim, portanto, é inteiramente indiferente se na Terra governam tiranos ou pessoas mais esclarecidas

É indiferente se aqui houve faraós, reis, imperadores, se aqui reinou a escravidão ou se se estendeu o domínio tenebroso da Idade Média, ou ainda quando, por fim, sobre tudo triunfa nos tempos de hoje o mundo científico materialista, tão celebrado por tantas pessoas

Formas profundamente impressas do pensar social sempre dominaram o espírito humano com o utilitarismo de sua época, sempre que ele chegava a uma nova encarnação na Terra

Sempre que o espírito humano entrou na Terra, assumiu o curso de vida estabelecido, para a ele se submeter por completo

O sedutor e tentador dos homens, como promotor da presunção intelectual e material nos homens, não poderia ter desejado melhor resultado

Por sua origem de arcanjo, ele conhecia as Leis de Deus que atuam na Criação e sabia bem, portanto, com que efeito se podia intervir, através do intelectualismo, no desenvolvimento da humanidade, para com isso desviar a todos do caminho e até, por fim, deter por completo o ciclo da espécie humanamente espiritual em seu desenvolvimento já em parte consciente

Sabia bem que, se aqui na Terra a humanidade em sua maioria sucumbisse ao domínio do intelecto presunçoso, que sempre quer amarrar e submeter tudo à sua influência material, então esse intelecto, pelas condições criadas por seu próprio trabalho, cercaria por si mesmo toda a vida e se tornaria assim o carcereiro de tudo o que é espiritual no ser humano

Bastou-lhe, pois, no início, com um pequeno desvio dos caminhos, em lugar do fortalecimento amoroso do íntimo espiritual, despertar tentadoramente nos homens o desejo de seguir a linha de desenvolvimento do intelecto

O intelecto agarrou-se à oportunidade que lhe foi oferecida e, de servo original que era, tornou-se o soberano

E de fato a Terra, por sua configuração, tornou-se para os bilhões de espíritos que chegam à encarnação um lugar cada vez mais e opressivamente cerceador da liberdade, campo de atuação do intelecto para tudo, portanto também para aquilo que anseia pela pura liberdade e pelo voo do espírito

Contemplemos o quadro do mundo de hoje

Ainda que possa não parecer, uma grande parte das pessoas na Terra se esforça, em seu modo de compreender, por viver uma vida boa

Pelo menos supõe que é isso o que quer

Pode-se dizer que, no fundo, há aqui sempre pelo menos metade das pessoas que, em certo sentido, desejam o bem para esta Terra

A esse esforço por uma vida boa, porém, as próprias pessoas acrescentam imediatamente uma grande quantidade de coisas aparentemente necessárias para se afirmarem na vida daqui, e isso com tanta força que, por fim, todos aqueles bons desejos, na atual configuração do pensar, servem novamente apenas ao intelecto e, com isso… infelizmente, sucumbe necessariamente, de modo ameaçador, às ciladas do arcanjo caído, que desvia as preciosas forças interiores dos homens para coisas secundárias

Vejamos apenas quantas coisas aparentemente discretas há aqui, que no entanto são uma aplicação bem disfarçada da supremacia intelectual

O intelecto interfere em tudo e, com a sua engenhosidade, faz daquilo que originalmente eram coisas secundárias na vida dos homens algo mais importante, ou até o mais importante, com que então todos se ocupam

É preciso, afinal, providenciar todos os dias tantas coisas necessárias, sem as quais a vida parece impossível

Há, afinal, todas aquelas necessidades do uso diário, desenvolvidas até dimensões infindas, há todos os deveres, interesses e passatempos elevados até os mais altos graus de exigência

Por mais habilmente que isso seja defendido com a designação de uma assim chamada vida de qualidade, plena, do ser humano, não é outra coisa senão uma caça às formas materiais

O fato de os homens, em sua tibieza interior, não terem consciência disso nada muda

Cada um é, em certa medida, absorvido por isso, e cada um está por isso também, em alguma parte, tolhido em sua verdadeira liberdade espiritual

Podemos até falar da época atual como o ponto culminante da paralisia da humanidade em seu desenvolvimento espiritual

Até onde tudo isso alcança, nós, como habitantes da Terra, em grande parte nem sequer nos damos conta, pois nos movemos nisso desde o nascimento

Ao mesmo tempo, porém, é muito fácil de compreender

Basta para isso ocupar-se com isso mais seriamente

Há aqui sempre duas grandezas fundamentais

A primeira grandeza é o íntimo do ser humano que quer o bem, o qual anseia por elevar-se a uma vida pura e a valores ideais

O espírito no íntimo de muitos seres humanos, deixado a si mesmo, aspiraria com a sua irradiação mais fina somente ao bem, ansiaria por formar com alegria e com criatividade intuitiva as mais plenas e magníficas formas da existência humana, que vibram nas sublimes virtudes da vida

Contra essa irradiação do espírito ergue-se, porém, como obstáculo, residindo na intensa atividade do cérebro anterior, o intelecto atuante, que no entanto sempre deveria ter sido, primordialmente, apenas um instrumento para a realização do querer espiritual

O intelecto hipertrofiado, com os seus argumentos de utilidade, exerce, porém, opressão contra tudo aquilo de que necessita o ser humano que anseia por ideais

Ataca, portanto, diretamente a ardente irradiação intuitiva do íntimo, que ele, como condutor material no ser humano, considera de seu ponto de vista inconveniente, em razão de sua própria transitoriedade terrena

Por sua atividade contrária ao sentir intuitivo do espírito, formou-se ao longo de gerações inteiras um limite nítido que decide o que é útil na Terra, isto é, o que é correto e desejável do ponto de vista da racionalidade terrena, e o que, do ponto de vista do intelecto, perigosamente escapa a isso por seu sentir intuitivo interior, que anseia pelo ideal

O intelecto em si mesmo, se lhe é permitido reinar, jamais compreenderá plenamente os ideais do espírito, pois eles são sublimes demais para ele e, com isso, do seu ponto de vista, dificilmente aproveitáveis para o mundo terreno

Chegou-se a tal ponto que, já há muito tempo, o intelecto considera de antemão os ideais espirituais perigosos para si, como uma ameaça ao seu próprio caminho terreno penosamente construído

Por isso ele olha o querer espiritual, que procede do princípio da nobreza de caráter e da benevolência, como um caminho autodestrutivo para a afirmação do ser humano na Terra

É a confirmação das palavras de obras de antigos poetas, de que a cabeça jamais compreenderá o coração

A cabeça é aqui justamente o intelecto, e o coração é o espírito

O intelecto, por sua natureza, sempre teme a supremacia do espírito

E, em sua natureza, ele também nada compreende daquilo que ultrapassa o utilitarismo por ele formado por meio de um puro esforço por ideais mais elevados, como por exemplo o dar alegre sem exigência de compensação ou a amorosa entrega a objetivos sublimes

Na realidade, ele também receia esses ideais, e até tem deles um medo pânico, porque, por suas vibrações de outra espécie, eles escapam ao círculo de seu domínio

O limite do mundo dos pensamentos, pesadamente fortificado pelo intelecto, por isso não permite há milênios – assim como também hoje – que a humanidade como um todo se eleve a um modo de vida que dê primazia, em todo agir, a mais sentir intuitivo

Sem que os homens tenham consciência disso, trabalham todos em igual medida, por sua participação, no cerceamento da liberdade do espírito

Isto é, não apenas os governantes dos Estados, os políticos, os soldados, os juízes, os cientistas, os professores universitários, os mestres ou os jornalistas, mas também, afinal, todas as outras pessoas que, voluntariamente e por conta própria, nas atividades materiais cotidianas, participam também do aprofundamento dos sulcos do intelecto com o seu modo de vida utilitário, preso à Terra

Esse modo é transmitido de pais a filhos como a maldição do pecado hereditário

Aquilo que muitos transmitem como valiosas experiências dos pais aos filhos é, na realidade, predominantemente apenas um veneno intelectual para o espírito livre

Ninguém está nisso espiritualmente livre, de modo pleno e seguro, de tal forma que possa ser tomado como exemplo duradouro para as outras pessoas

Nisso reside aquela maldição do fracasso humano, em que o intelecto, em sua maior parte, prevaleceu sobre o sentir intuitivo do espírito

Todos, como aqueles que por seu modo de pensar e de viver são em geral dignos da designação de pessoas racionais, em obediência ao seu domínio intelectual sobre o espírito, guardam na realidade com a maior severidade o limite através do qual, nas condições existentes, o espírito jamais pode elevar-se para se desprender do que é rasteiro e ascender mais alto

Com isso servem ao princípio de Lúcifer, sem nada suspeitar disso

Na Terra isso não é resultado de planos e acordos de sociedades e organizações secretas, nem de empresas comerciais multinacionais, de governos ou de agrupamentos supranacionais, como em geral se supõe, mas cada ser humano individualmente tem nisso a sua parte, por meio de sua própria disposição de vida

O inimigo não está em primeiro lugar em algum ponto do mundo exterior, mas está constantemente presente no próprio lar, e até na cabeça do ser humano

Ele reside em toda parte onde, nas decisões, o intelecto prevalece sobre o espírito

Daí se desenrolam então todos os caminhos, que são necessariamente formas moldadas que refletem em si a fraqueza do espírito diante do domínio do intelecto

Na manifestação do espírito, há muito enfraquecida, muitas pessoas já não conseguem impor as suas vibrações intuitivas interiores através desse limite do intelecto, porque o intelecto as força sempre de novo às formas habituais

A banalidade e a racionalidade inerte no agir envolvem toda a vida

Por mais que o íntimo se esforce por ultrapassar esses limites, depois de certa luta tudo o que é mais fino e mais intuitivo acaba sempre por ficar preso de novo no emaranhado dos laços do intelecto

Para a vitória do espírito falta aqui ainda aquela necessária retidão, infantilmente simples e ao mesmo tempo corajosa

Falta a força viva para um agir verdadeiramente pleno de intuição, que ultrapasse os limites fixados pelo intelecto

Somente aquelas pessoas que amam realmente alguém próximo com as suas intuições puras são capazes de reconhecer isso, e também de lutar em parte contra isso durante certo tempo, esforçando-se por dar ao ser amado o que há de mais ardente e mais nobre em si mesmas, sem consideração pelas regras do mundo intelectual exterior

A força de seu desejo do melhor para o ser amado dá-lhes a capacidade de romper temporariamente os estreitos limites do assim chamado “intelectualismo sóbrio”

São justamente essas pessoas que também reconhecem de modo rápido e nítido os estreitos limites do intelecto em toda parte onde a intuição ardente quereria trazer a esta Terra a felicidade dos céus, a despeito das condições terrenas estabelecidas

No esforço por um dar ardente, tomam consciência nesse tempo de quão cerrado está o mundo exterior pelos pesados muros do intelectualismo utilitário, que se opõe aos mais puros desejos de elevar o mundo para o melhor

Essas pessoas que amam de modo puro e ardente lutam então com a pesadez incompreensiva e a baixeza do mundo ao redor, que por meio de seus milhões de vassalos se ergue sempre prontamente como obstáculo contra tudo o que, em alegre canto, quereria tornar o mundo melhor para todas as outras pessoas

Em seu fundamento, é sempre o mesmo há milênios

Apenas as formas exteriores das condições se modificam segundo as exigências das configurações sociais

Vejamos apenas: sempre reina aqui alguma configuração social que exige a observância de condições consideradas de validade geral

Seja aqui ou talvez no extremo inteiramente oposto do mundo, há sempre condições estabelecidas que mantêm tudo o que é espiritualmente mais valioso sob o domínio intelectual

Muitas vezes isso é imposto por leis terrenas que, além disso, em regra são formadas por aquelas pessoas que, em seu pesado intelectualismo, podemos chamar de aleijados deformados na intuição

Por isso, já há muito tempo, isso se assemelha à proverbial luta contra os moinhos de vento

Também aos discípulos de Jesus foi dado lutar contra isso, sempre que o seu Mestre, em sua peregrinação pela Terra, fazia algo que ia contra a ordem estabelecida daquele tempo

Também naqueles que eram os mais próximos de Jesus, a libertação de seu sentir em relação ao intelecto só se realizava com dificuldade e esforço

Muitas vezes, nisso, decepcionaram dolorosamente, repetidas vezes, o Filho de Deus, que via com clareza quão fortemente o espírito é cerrado pelo intelecto na compreensão terrena do mundo

Com afabilidade Ele se esforçava por ajudá-los nisso e suportava pacientemente muitas manifestações em que o intelecto prevalecia sobre a intuição

Ao mesmo tempo alegrava-se quando Lhe era permitido ver que a este ou àquele dos ouvintes se tornava possível libertar a intuição espiritual e colocá-la à frente do pensar material

O íntimo humano precisa inflamar-se de verdadeira plenitude de amor para com o próximo e para com o mundo inteiro, a fim de poder alçar voo para o alto, para a Luz, para Deus

Muitas obras oriundas da atuação pura de artistas captam frequentemente essa relação hostil entre o sentir intuitivo, que brota do amor ao próximo, e o intelectualismo, que mostra quão doloroso é o posicionamento hostil do mundo exterior em relação à verdadeira vida no íntimo humano

As histórias de grandes relações de amor entre pessoas, que se chocam com as oposições de seu ambiente, são muitas vezes exemplo de atos terríveis por parte de pessoas intelectualistas, que possuem ao mesmo tempo maior poder terreno

Justamente em seu amor puro, as pessoas profundamente enamoradas, que, guiadas por suas intuições, anseiam por ver as coisas de modo mais singelo e simples, estão o mais perto de avistar de repente o mundo exterior como distante e, por isso, hostil a tudo o que eleva espiritualmente

Nessas pessoas plenas de ideais sublimes encontra-se também uma parte da força necessária, ao menos para contrabalançar temporariamente a pesadez do intelecto, diante do qual elas se colocam no momento dado com a coragem de um puro anseio por um mundo ideal

Mas a densa força material do mundo exterior, com a sua inércia, volta-se de modo utilitário também contra elas

E assim também elas, depois de certo tempo, se cansam e afundam na mesma penumbra que envolve a maioria das pessoas na Terra

As palavras de milhares de poemas dão profundos e ardentes testemunhos do aprisionamento do espírito pelo intelecto, e no entanto isso permanece apenas como um eco surdo para a humanidade privada de liberdade por esta matéria, a qual, amarrada em si mesma pela materialidade de seu próprio intelecto, não é capaz de romper e sair dessa prisão

Assim dura isso já há milênios, e os homens até agora nada conseguiram mudar nisso

Isso domina a Terra como uma doença que paralisa o espírito e para a qual não há remédio

Aqui, porém, vale o sério e ao mesmo tempo alegre clamor de uma voz das alturas “Vós todos que estais vivos e abertos em vosso íntimo, perseverai, pois este tempo tão longo de indigna prisão do espírito e da intuição declina agora para o seu fim”

Por isso é também sumamente necessário que cada um, dentro de si mesmo, se oponha à mencionada influência nefasta do intelecto no íntimo

O espírito deve finalmente, de uma vez, apresentar-se de modo convincente, para se libertar do domínio do pesado intelecto

Desponta um tempo decisivo de despertar espiritual, que traz as condições para grandes mudanças em todo o proceder humano

O sentir do espírito deve ser finalmente aquilo que determina os caminhos para a frente em todo o agir entre os homens

Infelizmente parece que a humanidade na verdade esqueceu o que é o sentir do espírito e como ele se manifesta

Assim, muitos já nem sequer sabem como a intuição se manifesta e como deve ser usada pelo ser humano na vida cotidiana

O grande movimento da sublime intuição do espírito humano está tão soterrado que, sob o depósito da racionalidade intelectual, os homens já nem sequer o reconhecem

Muitos esforços de pessoas mais corajosas, por mais bem-intencionados que sejam, terminam descrevendo um arco que, por fim, também as reconduz apenas às garras do intelectualismo que tudo aperta

Assim é também em todas as correntes religiosas e em todos os movimentos humanamente progressistas que, no início de seus caminhos, aspiram a objetivos mais elevados

Ao longo de todos os séculos isso chegou por fim ao mesmo lugar onde também está tudo o mais – aos braços do utilitarismo intelectual, que na luta com as outras correntes de opinião se defende com a necessidade da sobrevivência terrena

Muitas vezes isso leva até ao desespero muitos seres humanos que, em momentos de seu pressentimento mais claro, se dão conta disso

Os sulcos gastos do intelecto, usados há milhares de anos e aplicados quase sempre do mesmo modo, com ênfase no utilitarismo intelectual terreno em todo agir, parecem profundos demais

Parece como se a humanidade jamais pudesse sair desses sulcos profundos

Sempre de novo o intelecto espreita em tudo, bem armado de provas para a afirmação de que ao ser humano hoje na Terra não é possível seguir o caminho da intuição, de que isso é um idealismo insensato

A supremacia do intelecto parece assim invencível para todo esforço do espírito … mas, apesar disso, vive no íntimo de muitas pessoas uma grande determinação

Ela paira como uma imagem ideal ansiada diante dos olhos daqueles que interiormente despertam

Murmura como uma fonte viva de pura humanidade, na qual a verdadeira compaixão, o amor puro e o perdão reinam a cada instante em primeiro lugar, antes de tudo o mais, seguidos pela sabedoria e pela nobre grandeza em todo agir

E essa imagem ideal pode ser alcançada, pode ser tornada vida presente para cada um

O ponto de partida para encontrar o caminho para uma vida intuitiva é a aquisição de uma afável paz profunda nos pensamentos e na percepção da liberdade no fluir das coisas, que de qualquer modo sempre chegam por meio do tecer dos servidores enteais

A pressão de pensamentos até agora existente para dominar tudo na vida deve ser transformada pela penetração de fios vibrantemente claros, tecidos a partir de um puro querer intuitivo

Tudo reside na viva sintonia do bem que jorra do íntimo humano

Tudo na vida dos homens é, na realidade, determinado por seu próprio íntimo

Tudo acontece exatamente na medida em que o íntimo do ser humano, antes de tudo, voa alegremente para a Luz e para Deus

Nessa sintonia interior com a Luz, cada um pode estar certo de que é conduzido de modo inteiramente automático, passo a passo, para o alto, rumo à libertação e à iluminação

Essa caminhada para o alto deve também ser acompanhada de calma e de paz profunda no agir dos homens

A paz profunda forma o caminho para cada um que se esforça pela mudança em si mesmo rumo ao despertar de suas capacidades espirituais

Ao mesmo tempo, porém, é também o entusiasmo ardentemente flamejante que fortalece a todos para o ato corajoso em toda parte onde não foi alcançada a harmonia em todo o ser de toda a vida

Todavia, também esse esforço por encontrar a harmonia deve realizar-se de modo criativo em relação a todas as outras pessoas e criaturas

Para isso pode então ser utilizada também aquela engenhosidade do intelecto no agir, se o objetivo é o sublime querer da harmonia

Os caminhos do intelecto podem e devem ser sempre puros, por meio da condução intuitiva interior do espírito

Por fim, o intelecto se adaptará à força do sentir intuitivo no ser humano e retornará com isso ao seu lugar original de serviço ao espírito humano

Não é, portanto, uma luta contra o intelecto como tal em sua atividade, mas contra o seu domínio hipertrofiado, com o qual se apoderou da humanidade

Por fim, a paz profunda triunfará sobre tudo

A paz profunda não é uma ingênua entrega ao domínio de astutos intelectualistas, mas, ao contrário, é o mais alto movimento na viva investigação, em que ao mesmo tempo tudo está pleno de paz duradoura

A paz no ser humano abre a capacidade de reconhecer a sabedoria de espécie mais elevada

Há aqui, portanto, a paz profunda, a calma e, ao mesmo tempo, a mais alta vivacidade intuitiva interior na investigação de tudo o que é trazido ao ser humano, para que disso se forme uma sabedoria duradoura

Esses três pilares – PAZ PROFUNDA, VIVACIDADE e SABEDORIA – elevam por isso o espírito sempre mais alto para a Luz, para Deus

A sabedoria viva e plena de paz é aquilo que deve reviver no ser humano até o mais alto grau de vida

Esse é o caminho que conduz para fora das atuais profundezas do extravio da humanidade

É também o importante caminho que conduz para fora do estado agora reinante de domínio material na Terra

Quem se ativer a esse caminho libertar-se-á com segurança, gradualmente, de todas as cargas e amarras que talvez ainda até agora o mantenham no círculo da desesperança vivenciada

Caminhar por esse caminho jamais o decepcionará, pois nele está ancorado o auxílio milenar de Deus ao espírito humano em sua peregrinação através da Criação Posterior

Os Aglami estão agora, com auxílio intensificado, ao lado de todas as pessoas que caminham corajosamente contra o domínio estabelecido do intelectualismo

São eles que apoiam todo querer sério para o bem com as suas mãos invisíveis aos olhos terrenos, nas quais pode ser tecido tudo o que é necessário, também para o próprio êxito exterior no mundo terreno

E assim como os Aglami, trabalham agora com força intensificada para todas as pessoas intuitivamente abertas também os Alphar, que tecem para os seus caminhos, com a mais misericordiosa bondade da Luz, tudo aquilo que ajuda, no fluxo intensificado, a depor todos os fios passados

Uma atividade da mais alta espécie se desenrola agora em torno dos homens, e muitos começam a sentir e a reconhecer que acontecem para eles coisas tais como nunca houve aqui antes

Por tudo isso o enteal dá a conhecer a sua inclinação mais visível para a aceleração dos acontecimentos na libertação desta Terra das garras das trevas

Isso avança cada vez mais forte e mais rápido e trará em breve à vida de cada ser humano muitas irrupções de forças novas e inesperadas, que conduzirão à decisão necessária, se o ser humano anseia verdadeiramente pela Luz e pelos seus valores, ou não

O subterfúgio intelectual de até agora chegou ao fim

Toda a astúcia das pessoas que dominam as outras, privando-as da liberdade e perseguindo-as em seus pensamentos, está em seu grau final antes da queda no abismo da condenação

Quem quer que tome parte nisso, que desperte ainda no último momento e volte a sua direção de até agora para um modo de vida melhor

Aqueles que não ouvirem isso, ou que não o rejeitarem no reconhecimento de seu agir indigno do espírito, sucumbirão a uma força superior que já agora os envolve por meio do tecer enteal

Em seu intelectualismo serão vencidos pela própria força, na medida em que retornarem os fios de seu querer

Diante de muitos seres humanos surge uma grande luta pela libertação do íntimo espiritual

Essa luta, porém, é um auxílio que um dia será reconhecido de modo geral pelos homens como um acontecer da Luz, portador de liberdade, sobre este lugar no universo

Os homens agradecerão então, com calor em suas palavras, à Luz e ao Criador pelo auxílio com o qual lhes foi possibilitado descobrir de novo a beleza e a grandeza de seu próprio íntimo espiritual