O Princípio de Lúcifer

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 8 de abril de 2024

Original tcheco: Princip Lucifera · cesta-gralu.cz

Seja mais uma vez esclarecido de perto o que realmente significa quando se pronunciam as palavras “Princípio de Lúcifer”

Também se costuma dizer, ao advertir o próximo, que este se proteja da influência do “princípio luciferiano da tentação”

No resultado, porém, a maioria das pessoas continua sem saber exatamente o que essas palavras significam e o que, portanto, é na realidade o seu conteúdo

Infelizmente, para seu próprio prejuízo, a maioria das pessoas de hoje apenas sorri disso, pois se consideram avançadas, e algo como Lúcifer e o seu princípio soa aos seus ouvidos como narrativa de velhos contos de fadas, ou também como um sermão de igreja esvaziado de conteúdo

Há aqui também pessoas que consideram atraente tudo o que se refere a Lúcifer, a quem ligam a Satanás, pois pensam que, ao ocupar-se disso, podem também elas mesmas, num certo desafio, opor-se provocativamente à obediência a Deus, em relação a quem têm, em sua imatura compreensão da vida, muitas reservas

Naturalmente há aqui também ainda um número não pequeno de crentes

Só bem no fim encontramos um pequeno grupo daqueles que se esforçam por conhecer a Verdade

No resultado há, curiosamente, ainda na Terra um número suficiente de pessoas que têm alguma noção disso, e por isso é bom esclarecer mais uma vez a essência daquilo que reside nas palavras “princípio luciferiano”

Para muitas pessoas que creem que Lúcifer não é apenas uma figura inventada, há nas palavras mencionadas algo mau, até mesmo arrepiantemente misterioso, que pode aproximar-se do homem na forma das mais diversas vilezas, que procuram dominá-lo na tentação de modo que por fim seja arrastado para o lado sombrio

Esse “princípio luciferiano”, de som tão ameaçador, é no entanto simples em seu atuar, e por isso é também para o homem um acontecer que facilmente passa despercebido

Isso indica que muita coisa nesse assunto é diferente do que os homens conhecem

Antes de tudo vale que Lúcifer, desde o princípio, não esteve por trás de nenhuma das baixas perversidades que os homens ligam à sua atuação, como alguém repetidamente tido, por engano, como o soberano das trevas

Os homens apenas confundiram nisso a atuação das criaturas caídas, que sucumbiram ao princípio luciferiano e que, em sua própria queda para baixo, só posteriormente introduziram justamente todas as demais baixezas em seus modos de existência

Isso, porém, não diz respeito minimamente ao próprio Lúcifer, que sempre se manteve à parte dessa devastadora fúria, só posterior, que provinha das fileiras de suas vítimas

Desde o momento de sua queda, a sua influência sobre a humanidade consistiu justamente e somente na forma de um princípio que atua de modo abrangente, e não na tentação direta de pessoas individuais

Além disso, nem Lúcifer, nem as almas por ele arrastadas para baixo, que continuam a atuar no princípio da tentação, podem aproximar-se assim arbitrariamente de todo e qualquer espírito humano

Assim, ninguém está exposto sem proteção ao princípio da tentação

Como em tudo o mais, também aqui se aplica a Lei que atua para a realização de todos os desejos humanos

Se, portanto, as pessoas não querem ter absolutamente nada em comum com o princípio luciferiano e por isso percorrem a sua vida com um esforço puro em todo o seu sentir, pensar e agir, permanecerão sempre suficientemente protegidas diante de tudo

A influência de uma tentação alheia não poderá penetrar em seu íntimo

Isso pode ser um consolo duradouro para todos aqueles que se esforçam por um querer puro e bom

Contra a sua própria vontade, que se esforça em todas as circunstâncias por um querer puro, nenhum espírito humano pode ser influenciado, nem mesmo se dele se aproximasse a mais forte das vibrações do princípio luciferiano

Se é puro, tudo permanecerá fora dele mesmo

Na Criação reina em tudo a clareza, e isso justamente porque tudo o que surge tem sempre de se desenrolar ao mesmo tempo no âmbito das Leis da Criação

Também Lúcifer, apesar de sua falha, está em seu atuar subordinado à Vontade de Deus

Portanto, também o mencionado princípio da tentação luciferiana, que infunde em muitas pessoas temores por sua alma, desenrola-se rigorosamente em processos e acontecimentos de desenvolvimento que podemos chamar de conformes às leis

As Leis da Criação nunca permitirão a influência e a subsequente queda do espírito humano, de modo que este talvez tivesse por fim de ser condenado, se ele mantiver constantemente em si uma disposição infantilmente simples e pura

Tudo o que se refere à tentação escorregará pela pura radiância de sua veste espiritual

Assim é no caso de todos aqueles que percorrem a vida com pureza, com um intuir vigilante de tudo o que lhes entra no vivenciar em seu caminho de amadurecimento

Diferente é, porém, com aqueles que sucumbem ao princípio proveniente do arcanjo caído

Nesse caso, então, trabalha nas mesmas leis todo o encaminhamento para o resultado que tem de sobrevir quando no curso das Leis de Deus são introduzidos procedimentos de pensar e agir incorretamente empregados

Isso trará, portanto, a vacilação e em seguida o descer cada vez mais para baixo, até que se possa chegar à queda completa

No caso do espírito humano, ameaça então o grande perigo do completo perecimento de seu ser consciente

Mas aqui seja de novo advertido que sucumbir à influência de Lúcifer só pode ocorrer naquele em quem se encontra um querer da mesma espécie

Essa homogeneidade consiste no estado de disposição de uma vaidosa presunção do próprio valor, isto é, na arrogante convicção de que se sabe isto ou aquilo melhor do que todos os outros

O perigo reside em que essa vibração se manifesta quase imperceptivelmente, portanto também quando pelo homem passa de repente, ainda que só, a mais fraca vibração da mencionada presunçosa arrogância a respeito de suas capacidades, que num dado momento tornam o homem, em algo, melhor e mais bem-sucedido do que os outros

Justamente para essa espécie de disposição interior de orgulho deveria valer a maior advertência para todos aqueles que querem, de uma vez por todas, evitar o perigo de sucumbir ao princípio luciferiano da tentação

O perigo reside justamente em que, a seu modo, se trata no fundo sempre de um princípio que vai contra a Vontade de Deus, isto é, de um princípio que contém a revolta contra Imanuel, contra o Espírito Santo

Os homens não são capazes de abarcar com a vista tudo o que nisso está contido

Para uma melhor aproximação, lembremos aqui, por isso, que não há nada que tenha surgido ou que se tenha erguido para a sua consciência sem o Criador

E como tudo surgiu da Vontade criadora de Deus, também tudo o que existe precisa estar consciente disso numa correta aceitação

No caso do homem, isso vale no sentido de que ele deve estar sempre consciente do fato de que absolutamente todos os dons e capacidades depositados em seu espírito provêm de Deus

Se, pois, por exemplo, o homem tem êxito em algum assunto, ele precisa estar consciente de que não é mérito seu aquilo que nisso está contido do princípio ao fim, mas que ele é apenas aquele que desenvolve as capacidades vivificadas em sua íntima centelha espiritual, a qual não surgiu de outro modo senão provindo de Deus

Somente pela Graça de Deus tudo isso pôde revivescer no homem e desenvolver-se

Se, portanto, surge depois disso, no uso, algo que traz manifestações do bem para o restante do mundo, deve o respectivo ser humano vivenciar sempre nisso a alegria da consciência de que isso lhe é possibilitado única e exclusivamente pela Graça de Deus, que concedeu à sua centelha espiritual a possibilidade de um ser autoconsciente

Onde, porém, surge a suposição de que isso é obra apenas do próprio homem e de que somente ele tem nisso mérito, ali já está contido o germe da suposição errônea de que o homem está à parte do Criador e de que é até algo mais do que aquilo que a Plenitude do Amor de Deus lhe possibilitou levar ao desenvolvimento

Nisso reside a própria raiz da revolta contra Deus e contra o Espírito Santo, que desperta sempre que o homem supõe saber algo melhor do que a Vontade de Deus seria capaz

O início dessa rebelião contra Deus, porém, já está oculto no fato de o homem se elevar acima das outras pessoas

Em tudo isso está contido o “princípio luciferiano”, que então gradualmente leva ao envenenamento da consciência anímica e mental no homem, e, se o respectivo ser humano não se libertar rapidamente no esforço de reencontrar a pureza infantil, isso chegará por fim até o grau da necessária decomposição da consciência do espírito humano assim desviado da Harmonia do conjunto da obra da Criação

O princípio luciferiano é algo diferente do que supõem muitas pessoas, que esperam do arcanjo caído tentações nas mais diversas baixezas

Esse princípio, porém, atua de modo inteiramente diferente

Aqui na Terra ele crava os dentes no íntimo humano através do intelectualismo, no qual reside o perigo do germe da arrogância, que consiste na suposição de que o homem é melhor do que os outros

E por isso também podemos encontrar o “princípio luciferiano” em muitos assuntos que de resto são talvez inteiramente agradáveis a Deus

A pessoa que sucumbe ao princípio luciferiano pode até ser exteriormente muito proveitosa à sociedade humana, pode até ser muito conhecedora das doutrinas sobre Deus e esforçar-se com todas as suas forças por fazer prevalecer a glória de Deus entre os homens

Infelizmente, nas fileiras das igrejas e de diversas sociedades espirituais encontraremos sempre muitas dessas pessoas

Se, porém, no íntimo de tal pessoa, em vez de pura humildade e gratidão ao Criador, germinar um sentimento de satisfação alimentado pela convicção presunçosa de que ela é melhor e mais valiosa do que os outros, então tal pessoa terá um dia de se deparar com o juízo do Espírito Santo, e toda a sua obra se mostrará então inteiramente pobre e miserável, pois a verdadeira força vivificante reside somente onde reina a plenitude infantilmente simples do vivenciar da gratidão em todos os momentos da vida

Por isso é oportuno advertir sempre de novo todos os habitantes da obra da Criação para que se esforcem por preservar a sua pureza de qualquer lampejo que traga em si homogeneidade com o “princípio luciferiano”

Diante dos necessários efeitos recíprocos dessa disposição nenhuma das criaturas pode então ser protegida

Como prova, justamente, podemos ver que por fim ocorreu até a queda de um servo tão forte como foi, no princípio, Lúcifer em sua origem de arcanjo

Teve de ser expulso dos lugares bem-aventurados que vibram na proximidade do vivificante fulgor de Deus, aos quais antes pertencia juntamente com todas as hostes de arcanjos, com os quais pôde, desde o princípio de seu surgimento, exaltar e seguir fielmente o Criador

Tudo isso apenas confirma que para sempre reina sobre tudo a Vontade de Deus, como a única força determinante para tudo o que despertou para a sua consciência

Isso vale, no resultado, necessariamente também para a origem divino-enteal de Lúcifer, que se encontra muito no alto, na eterna Luz de Deus

O começo absoluto da queda de Lúcifer foi o despertar da vibração de sua própria tomada de consciência de que é ele, em primeiro lugar, quem está por trás do êxito que se desenrolava no início de sua atuação entre os espíritos humanos em desenvolvimento, isto é, em tempos remotos, que aqui na Terra podemos chamar de tempo dos impérios da antiguidade

A tomada de consciência do êxito, em ligação com a própria força inteiramente mal compreendida, levou Lúcifer à suposição de que ele, como enviado da esfera divino-enteal, se encontra aqui na Criação Posterior em posição superior a toda a vida, e isso numa posição tal que tudo tem de vir ao seu encontro e dar-lhe ouvidos, pois ele é o mais forte e também o melhor logo depois do próprio Deus

Olhando em todas as direções, não via, em suas capacidades, em parte alguma entre os habitantes da obra da Criação um igual a si

Também todos os Altos servidores enteais de Valhalla, que servem fielmente ao Pai de todos, encontravam-se, em comparação com ele, profundamente nas planícies baixas da Criação

Como arcanjo de origem divino-enteal, era também realmente o mais forte de todos aqueles que, como servidores de Deus de espécie enteal inferior, se encontravam em torno dele no cumprimento de sua tarefa originalmente tão sublime na obra da Criação Posterior

Todos os servidores que atuavam em torno dele aqui na Criação sempre estiveram, por sua natureza de surgimento, necessariamente inseridos nos fios da Criação, ao passo que ele próprio se encontrava, até determinado tempo, inteiramente fora desses fios

Graças à sua irradiação inicial de espécie divinal, encontrava-se, em certo sentido, fora dos efeitos das Leis da Criação, às quais todos os outros estavam necessariamente sujeitos

Para uma melhor compreensão é possível dar a imagem de que ele atuava na Criação a partir de fora, e isso justamente graças à irradiação proveniente de sua origem, pela qual podia servir na Criação e ao mesmo tempo estar fora dela

Algo assim não é fácil de imaginar para a nossa espécie humana de compreensão, por isso falemos aqui de uma irradiação de espécie mais elevada, que por sua natureza está acima da Criação, mas que, para o cumprimento de uma missão, está ao mesmo tempo ligada estreitamente e de modo mais duradouro ao lugar de serviço, que se encontra nos planos mais baixos ou, dito de outro modo, mais densos da Criação Posterior

Nessa relação, o arcanjo enviado por Deus para apoiar o desenvolvimento da espécie mais fraca do espiritual, que se encontra nas profundezas da Criação, tinha assim de se considerar, em sua origem, um auxiliar inteiramente excepcional

E realmente o era e poderia sê-lo ainda, se… se nele não tivesse despertado a consciência da excepcionalidade

Se tivesse permanecido em seu serviço constante e puramente devotado à missão determinada pelo Santo Deus, poderia hoje ser conhecido pelos espíritos humanos e por toda a demais vida na Criação como o arcanjo que forma, para a espécie humano-espiritual em desenvolvimento na Criação, caminhos auxiliadores para o reconhecimento o mais consciente possível da Vontade do Criador

Seria conhecido, logo depois de Parsival, como um valioso auxiliar vindo do reino divino-enteal, que elevou a vida numa parte da Criação Posterior a um impulso em seu desenvolvimento, adiantando-a em anos-luz inteiros

Parsival está, desde o princípio, nas palavras “Faça-se a Luz”, instituído pelo Santo Deus como administrador da Criação

Lúcifer, como aquele que traz o reconhecimento consciente de Deus e de sua Vontade, poderia estar eternamente ligado a esta obra da Criação pela mais fervorosa gratidão de todos aqueles a quem podia e também devia ajudar com a sua atuação excepcional

Mas justamente nisso falhou de tal modo que não pode haver maior acusação do que aquela que se eleva de todos os habitantes da obra da Criação até Deus

Em seu âmbito de atuação conhecia perfeitamente os efeitos de todas as Leis na Criação, pois o seu olhar as penetrava constantemente como a um espelho d’água no qual reluz a Luz de Deus, e ao mesmo tempo essa Luz penetra mais adiante na profundeza dos mundos situados mais abaixo

Nesse sentido, o seu nome trazia em si a espécie de seu serviço

Lúcifer – o Portador da Luz

Estando acima da Criação, via tudo mover-se, de modo semelhante a quando o olho do homem observa a vida aquática através de um vidro que toca a superfície

Ao contrário do homem que observa a vida sob a superfície, ele sabia exatamente como essa vida deveria desenrolar-se para prosperar em seu desenvolvimento

A sua tarefa era-lhe fácil, e também desde os primeiros momentos do serviço tudo lhe corria extraordinariamente bem

Isso, porém, valeu apenas até o momento em que tomou consciência de quão forte auxiliar era justamente ele próprio em tudo isso

Essa tomada de consciência incorreta levou-o por fim à convicção de que aqui na Criação é justamente ele quem sabe tudo melhor, porque isso era, afinal, confirmado por toda parte por sua obra de rápida ascensão

Conhecendo todos os lugares de escolhos e fraquezas do mencionado desenvolvimento nas lonjuras da obra da Criação Posterior, sabia bem onde intervir corretamente para que não ocorresse nenhum desvio

A sagrada lança da vida, que recebeu para a sua tarefa, devia sempre orientar todos os caminhos de desenvolvimento dos espíritos humanos somente pelo desenvolvimento desejado por Deus

Foi ele quem segurou em sua mão essa lança vivamente radiante como símbolo do fiel cumprimento da grande missão e quem com ela conduziu a parte auxiliadora temporária da vida na Criação no tempo em que Parsival, em sua ligação com a Criação, ainda era um jovem

Isso, porém, levou-o, ao contrário, à reflexão de que a tarefa para a qual foi enviado, isto é, para ajudar não apenas os homens em sua ascensão para a Luz, era fácil e de que ele seria capaz de conduzir toda a vida que se encontra em toda a obra da Criação

Essas vibrações de tomada de consciência foram também o momento decisivo de seu desvio do original e magnífico serviço

Ao mesmo tempo, justamente no estremecimento ao tomar consciência de que ele sabe dispor todas as coisas na Criação melhor do que a própria Vontade do Criador, despertou nele aquela forma primordial de pensamento que podemos designar como o fundamento do “princípio luciferiano”, que causa tantos danos sobretudo na parte distante da obra da Criação Posterior

Saber melhor do que todos os outros, saber melhor do que o próprio Criador, tal foi a impressão primeira do pensamento que Lúcifer introduziu na obra da Criação

Com isso foi lançado o fundamento de toda a perniciosidade que teve então de se manifestar em cada criatura que sucumbiu ao princípio de Lúcifer

Essa perniciosidade reside na discrição original do instante em que se possibilita que ressoe a vibração do engano de que o respectivo ser se tornou forte e poderoso e, com isso, mais valioso do que os outros, pois sabe tudo melhor do que qualquer outro

Logo que esse tipo de tomada de consciência mental começa a vibrar, qualquer habitante da obra da Criação encontra-se imediatamente cada vez mais fora da Vontade de Deus

E esse princípio de tomada de consciência, que é idêntico ao provar do veneno, tornou-se a ruína de muitas criaturas, das quais a mais devastadoramente atingida foi justamente a espécie humano-espiritual, por causa da qual Lúcifer foi enviado à Criação para ajudá-la em seu desenvolvimento, com afável paciência, por meio de suas grandes capacidades

Essa tomada de consciência está nitidamente retratada na parábola da Bíblia, na imagem em que a serpente oferece a maçã, na qual se encontra oculto o princípio de Lúcifer

Na imagem isso está representado de tal modo que justamente a mulher, com a sua capacidade intuitiva, que recebeu do Criador como um acréscimo espiritual-enteal angélico, isto é, um dom de espécie indizivelmente preciosa, para que fosse capaz de reconhecer tudo o que é incorreto, foi a primeira a ser influenciada por Lúcifer, pois ele estava consciente de que, se conseguisse despertar justamente na mulher o lampejo do próprio valor, o homem seria então para ele já uma presa fácil

E isso ele também conseguiu, exatamente de acordo com o seu plano

Não é a tomada de consciência do puro reconhecimento de si mesmo, como seria correto em todos os aspectos, mas é justamente a venenosa tomada de consciência do próprio valor, no sentido de que tal pessoa sabe tudo melhor

Com isso desenvolvem-se imediatamente no homem a presunção e o orgulho, isto é, qualidades que aqui na Terra, em ligação com o intelecto fortalecido, conduzem à esperteza calculista, que muitas vezes edifica o próprio êxito sobre os erros e as deficiências das outras pessoas

Ao provar dessa maçã oferecida pelo tentador, a alma do homem é ao mesmo tempo envenenada pela presunção e pela orgulhosa representação de sua excepcionalidade e singularidade

Além disso, no corpo terreno isso conduz à sobrecarga das capacidades intelectuais, pois somente por meio do cérebro intelectual desenvolvido pode aquela presunção fazer-se valer aqui na Terra, e justamente naquele afirmar-se nas próprias capacidades com a arrogância de quem sabe tudo melhor do que os outros

O princípio luciferiano crava os dentes em toda parte onde falta no íntimo do homem a humildade simples e infantilmente pura

Isto é, onde o espírito humano não irradia a luz clara de sua pura simplicidade infantil, que contém em si desde o princípio, como o menor habitante espiritual da obra da Criação

Onde não há no homem o empenho do esforço diário por manter essa singela simplicidade infantil em constante e alegre prontidão para todos os momentos, ali cada um se expõe sempre de novo ao perigo de ser atingido pelo veneno da presunção já no instante em que passa por ele o lampejo da tomada de consciência de quão bom e valioso ele é e de como sabe tudo melhor do que os outros

E como entre os homens na Terra o princípio de Lúcifer se alastrou demais e, ao mesmo tempo, quase desapareceu a pura simplicidade infantil em toda a compreensão, cada um que ainda agora está na Terra está constantemente exposto ao perigo desse veneno da tentação

Isso valerá até o momento em que de novo se desenvolva no modo humano aquela primazia do reconhecimento de que o homem é apenas uma criatura, de que é uma criança e, portanto, uma pequena parcela da Sabedoria plena de Amor de Deus

Somente na compreensão e na aceitação desse reconhecimento, isto é, na submissão à Vontade do Criador, pode ele desenvolver-se constantemente até a infinitude de sua própria personalidade

Algo assim, porém, não é fácil, pois da maçã da tentação já foi provado pela humanidade de tal modo que esse princípio, que traz em si a nefasta inclinação a supor que o homem sabe tudo melhor, se aninhou demasiado nas circunvoluções do cérebro e não pode ser simplesmente superado

Levará, portanto, algum tempo até que venham mudanças visíveis, e isso, evidentemente, ainda sob o cumprimento da condição de que os homens queiram mudar para melhor as coisas até agora existentes, com fervor e perseverança

A força mais elevada em cada um, capaz de mudar o princípio estabelecido, é a sua natureza espiritual

Justamente o querer espiritual íntimo no homem precisa libertar-se e assumir o domínio sobre todos os impulsos e vibrações no pensar e no agir

Mas contra isso atua nos homens o princípio luciferiano profundamente enraizado, do qual eles não têm consciência nem sequer em parte, pois ele está habilmente oculto por trás de todas as formas, insinuadas por Lúcifer, do querer impor-se

Em toda parte onde vive nos homens a representação de que o êxito está ligado a superar todas as outras pessoas e torná-las assim mais fracas e, em certo sentido, de menor valor, ali em toda parte se encontra oculto o princípio de Lúcifer

Onde quer que desperte no homem a impressão de que é melhor do que os outros, ainda que fosse na coisa mais absurda, ali surge imediatamente a imagem da serpente oferecendo a maçã da tentação

Mas isso é justamente algo que na maioria das vezes passa despercebido

E até mesmo o mundo atual dos homens vai inteiramente contra o caminho original e natural de desenvolvimento do espírito humano, pois hoje em toda parte se fomenta o esforço de autoafirmação a qualquer preço

E a autoafirmação traz sempre em si o querer oculto de ser melhor do que os outros e alimenta a forma de pensamento de que a vida deve ser mais bem aproveitada tornando-se o homem, em alguma direção, mais bem-sucedido do que os outros

O princípio da tentação semeou por toda parte entre os homens o desejo de ser o melhor de todos

Chegou-se tão longe que muitos anseiam ser os melhores em coisas inteiramente absurdas, que negam a dignidade humana

Quem não tem despertado em si esse impulso fundamental para tal agir é, entre os homens do mundo atual, de antemão considerado um fracassado e uma criatura insignificante, que não merece mais do que a compaixão daqueles que estão acima dele

Compaixão que, porém, não jorra do anseio de ajudar os mais fracos, mas apenas do querer oculto de confirmar para si o próprio êxito no reconhecimento de que um outro é menos bem-sucedido na disputa por uma imaginária vitória

Assim é hoje diariamente, com o que o mundo dos homens confirma de novo quão profundamente se infiltrou aquele envenenamento que, no mais engenhoso princípio da tentação, foi insinuado aos homens por aquele que trazia essa ferida em si mesmo

Lúcifer, no esforço de abalar a confiança dos homens em Deus, não pôde transmitir-lhes outra coisa senão aquilo que justamente a ele próprio se tornou fatal

Apresentou ao espírito humano, como forma pesada de tentação, aquilo em que ele próprio falhou

O despertar do ardor abrasador do querer ser melhor, saber tudo melhor, ser em sua percepção mais perfeito do que a Vontade do próprio Deus

Em milhares de variações isso vibra no íntimo dos homens na suposição de que esse é o caminho certo para alcançar algo mais elevado e preencher a sua vida com algo cheio de sentido

E isso penetra realmente em tudo o que os homens consideram parte do conceito “vida”

A mulher anseia ter influência sobre o seu marido, para que ele atenda aos seus bons conselhos, o homem, ao contrário, anseia que a mulher satisfaça os seus desejos

O estudante é impelido pelo anseio de sobressair acima dos outros

O cientista alimenta em si, até a exaustão, o pensamento de descobrir algo antes ainda que o alcancem os seus colaboradores

O atleta é consumido por uma voz incessante em sua cabeça, para que se torne o mais bem-sucedido de todos, e também é incitado a isso por seus conselheiros e pelo círculo mais próximo, com a ideia de que somente a taça de ouro tem o mais alto valor

O comerciante esforça-se por ser cada vez mais rico, e o líder quer ser o mais influente, porque a todo custo quer manter o poder e o domínio sobre os outros, a quem chama de turba e ralé

E justamente também as crianças, ao longo de gerações inteiras, são muitas vezes conduzidas pelos pais à convicção de que só tem sentido uma vida que em todas as circunstâncias seja terrenamente bem-sucedida, e isso sem levar em conta o modo como esse êxito é alcançado

Quem não está no topo em algum ramo ou direção dos esforços humanos é, na percepção da humanidade atual, apenas uma pessoa comum, que não merece atenção

Quão diferente, porém, é a Verdade, que revela a razão e o sentido da vida humana

O reconhecimento da Verdade consiste em que somente aquele ser humano que em seu esforço busca primeiro a concordância com a Harmonia do todo, com o emprego de todas as suas capacidades do espírito e do intelecto, pode aproximar-se gradualmente, em humildade plenamente sentida de modo intuitivo, do reconhecimento da Verdade, por meio da concordância com a Vontade de Deus e com a Harmonia abrangente que permeia toda a obra da Criação

Somente então compreenderá e se aproximará do verdadeiro vivenciar do conteúdo do conceito Verdade, que tantas vezes já antes pronunciara sem, contudo, compreender na realidade a sua verdadeira essência

Somente em tal disposição pode também o espírito humano ser feliz, pois somente nesse momento está ligado ao conjunto do Universo, no qual se encontra para cada um uma grande parte da bênção de Deus

Somente na cooperação pode ser alcançado, na espécie humano-espiritual, o grau que é buscado como o prometido “Reino de Deus na Terra”

O fato de esse “Reino de Deus” ainda não ter chegado é sinal de que nos homens há ainda demasiado de estranho ao estado de felicidade mútua vivenciada com os outros, que é a condição para alcançar o grande esclarecimento da humanidade e, portanto, para o advento do tempo daquele “Reino de Deus na Terra”

Isso não é nenhuma reflexão filosófica sobre o mundo dos homens daqui, nem é um bom conselho, mas é uma rigorosa e dura descrição da realidade de como os homens se posicionam perante a ordenação, por Deus, da grande Harmonia da obra da Criação

Sem a mudança, que consiste em libertar-se da influência do princípio luciferiano, a humanidade nunca progredirá

E isso mesmo ao preço de a humanidade ser agora atingida pela atuação enteal até o grau de uma destruição quase completa

Outro caminho não é possível

Tudo está disposto para a nova orientação de desenvolvimento desta parte do universo

E isso, ou juntamente com os homens despertos, que se abrirão ao grande afluxo da iluminação, ou sem eles, apenas com o menor número daqueles que forem por si mesmos capazes disso

A condição para que venha a aceleração em todos os acontecimentos sobre a humanidade e nos próprios homens é a completa inversão de toda a compreensão e de todo o vivenciar da vida até agora, que quase em tudo está tocado pela influência do “princípio luciferiano”

A alegria infantil, ligada à consciência de que o homem, por si mesmo, sem Deus e a sua Obra, nada é, é o caminho mais direto para o início da mudança de toda a atual competitividade e distorção, na qual não há nada senão um resto da incompreensão da luta na natureza

Os homens terrenos, porém, têm já há mais de dois mil anos a direção mostrada pela Palavra da Verdade do Filho de Deus, Jesus, que venceu em todos os sentidos Lúcifer como o tentador, que no tempo do deserto procurou insinuar-se junto a ele com a oferta de suas habilidades e de seu auxílio, sob a condição de que Jesus confirmasse a validade de sua origem divino-enteal e de que lhe fosse permitido regressar aos lugares de sua origem no Reino de Deus

A isso Jesus respondeu ao tentador com as palavras de que ninguém pode elevar-se acima de Deus sem colher as consequências de seus desejos

Aos homens procurou então mostrar o caminho do mais fervoroso seguimento do Amor de Deus, para que eles próprios tomassem consciência de que são filhos espirituais desta Criação

Infelizmente, apenas poucas pessoas compreenderam o grande legado contido nas simples imagens de Cristo, que ele procurou gravar da maneira mais viva possível nos corações dos que o escutavam

E assim nos encontramos agora no próprio ponto das grandes mudanças, ainda sem o reconhecimento e a compreensão daquilo que realmente reside nas palavras “princípio luciferiano”

Há uma única possibilidade de se proteger desse provar da maçã envenenada oferecida pelo tentador, que ainda atua devastadoramente entre os homens

No vivenciar puro e inteiramente simples de cada momento da vida, remover de si por completo todas as vibrações de arrogância de que se sabe algo melhor do que os outros

Já a simples sabedoria no íntimo diz ao homem que nunca é assim, pois a obra da Criação de Deus contém sempre hostes de servidores que, em cada coisa, estão muito mais adiante, sem que por isso precisem ouvir louvor e exaltação

Isso vale sempre e em toda parte

Vale tanto para os arcanjos e anjos, para todos os servidores enteais, como também, e tanto mais, justamente para todos os espíritos humanos