O Espírito Humano no Reflexo da Força Criadora Divina

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 14 de novembro de 2022

Original tcheco: Lidský Duch V Odlesku Božské Tvůrčí Síly · cesta-gralu.cz

Desde tempos imemoriais muitos homens anseiam tornar-se divinos

Impelidos por essa visão, esforçam-se por romper violentamente o limite que se estende acima deles como uma abóbada impenetrável, dada por sua origem espiritual

Entre o Divinal e o espiritual reina uma grande diferença

E o ser humano, nesse sentido, é e permanecerá para sempre espiritual

Apesar disso, porém, este ou aquele ser humano quer alcançar as alturas que se encontram acima de sua espécie, pois em sua compreensão de algo mais elevado vê nisso a possibilidade de um degrau menos limitado para o seu querer

Quer por isso alçar-se acima de sua espécie e tornar-se assim alguém que influencia do alto o curso das coisas do restante do mundo

Aberta ou ocultamente anseia que mundos inteiros sejam codirigidos segundo a sua própria vontade

Uns falam disso abertamente, com entusiasmo, e procuram convencer os outros a ocupar-se também disso, porque estão certos da justeza de seu desejo de que o estado divino pode ser alcançado pelo esforço concentrado de seu espírito em direção a essa meta

Outros, por sua vez, guardam isso dentro de si e só em segredo anseiam por algo assim, na suposição de que isso poderia ser uma satisfação no cumprimento daquela sua diferença que sentem em si

O desejo de alcançar o divino está, nisso, sempre estreitamente ligado à maturidade do espírito humano

No provar de tudo aquilo que contém em si o livre-arbítrio, o espírito ainda não inteiramente maduro anseia dominar o mais possível, e para isso precisa manter diante de si a perspectiva de uma possível divindade em si mesmo

Quer ter a perspectiva da possibilidade de seu desenvolvimento para cima o mais alto possível, e até mesmo a quer ilimitada

Supõe por isso que subir até o limite do divino é única e exclusivamente obra de sua tomada de consciência

Está certo de que, se ele se decidir por algo assim, então não há obstáculos que o detenham de modo a não alcançar a sua meta

O conhecimento do livre-arbítrio lhe diz, afinal, que isso depende somente dele mesmo

Chega a supor que é convocado para essa meta pelas próprias alturas divinas e apoiado nisso

Pelo menos essa suposição provém das declarações daqueles que, como mestres místicos, falaram a respeito

Está convencido disso sem conhecer qual é a realidade do desenvolvimento subsequente que aguardava esses místicos mais adiante nos efeitos das Leis da Criação

Pode refletir assim sobre isso porque não sabe que todas essas perspectivas acerca da divindade do ser humano são apenas reflexões de todos aqueles que tatearam para a frente na suposição de que haviam amadurecido para compreender a essência do livre-arbítrio atuante em seu espírito

E é justamente esse livre-arbítrio, reconhecido erroneamente na imaturidade do espírito, que incita muitos homens à presunção de tornar-se um dia aquele que codetermina o desenvolvimento de toda a Vida, estando nisso em seu ápice

Anseiam fortemente elevar-se finalmente do plano em que ainda são apenas conduzidos e educados, ao plano daquele que é ele próprio o condutor, o educador e aquele que determina

Naturalmente isso é habilmente envolto em palavras cheias de humildade e renúncia, que falam de um grande amor ao mundo inteiro

Nisso se busca uma semelhança com o modo como, afinal, o faz Deus, e diz-se que eles apenas se aproximam de Sua grandeza com humildade

Por mais bonito que isso soe exteriormente, no fundo do íntimo arde então aquele desejo candente de alcançar o mais alto cume como a principal vontade impulsionadora de todo o esforço

Essa forte vontade está ligada, nisso, à centelha espiritual e ao seu gradual tomar consciência de si mesma

É um certo degrau de maturidade, ou antes de imaturidade, que felizmente passa por completo ao largo de muitos espíritos humanos, mas uma parte deles se detém nele por longo tempo e se enreda

A maturidade evolutiva de um espírito que percorre de modo puro e com confiança infantil os caminhos da Criação Posterior é tocada por essas reflexões apenas levemente, muitas vezes, porém, de modo algum

Em parte, portanto, o sobrevir de reflexões sobre até onde podem levar os caminhos do desenvolvimento do espírito é natural, e por certo tempo tal refletir pode acompanhar o ser humano em sua existência

Visto que isso faz parte do renascimento da alma humana, de seu caminho inicial de apalpar infantil de suas capacidades para um degrau mais elevado e mais sábio, é em parte compreensível que os homens anseiem tornar-se divinos, e por isso há apenas poucas pessoas às quais tais perguntas nunca chegaram

Em parte isso pode ser natural por certo tempo, se o considerarmos como parte do degrau de maturidade do ser humano em questão

A maioria, para a sua felicidade, reconhece logo a limitação natural do alcance da própria vontade e, juntamente com o reconhecimento interior dessa limitação do espírito humano, reintegra-se no ciclo do acontecer cotidiano, que lhe oferece outras vivências e outras perguntas

Com a maturidade progressiva esse querer cai por si mesmo, pois no reconhecimento ulterior aparece então ao seu espírito como algo pueril

Muitos se envergonham então de tais tolices e gostariam de retirar as suas antigas e fervorosas reflexões

Tais pessoas não deveriam mais ser atormentadas com a lembrança de suas reflexões anteriores no desenvolvimento espiritual

Isso deveria ser esquecido de modo semelhante a como se esquecem, nas crianças pequenas, as suas mais diversas representações ingênuas do mundo

Se o espírito avança mais em sua maturidade, então ele é também percebido a partir da Luz já no novo plano de sua clarificação, e ao mesmo tempo o passado é gradualmente vivido até o fim e compensado, por exemplo apenas por um estado de séria vergonha interior pelas falas anteriores

Esse degrau de maturidade no reconhecimento da essência dos dons do livre-arbítrio pode, na realidade, ser superado muito facilmente

Apesar disso, porém, numa certa parte dos homens permanece a candente pergunta sobre se e como podem aproximar-se de Deus com a sua consciência e a sua compreensão

Pelo tomar consciência de seu eu, o íntimo de tais insensatos quer por fim tornar-se justamente divino, pois supõem que isso é apenas uma questão de seu desenvolvimento

Algo assim é uma compreensão errônea da própria essência humana

No espírito reside, já desde o seu próprio início, uma limitação natural dada por sua origem

Ele despertou, afinal, como criatura numa obra que aqui já havia sido feita pela Palavra do Criador, e somente em seguida o ser humano se ergueu dessa Palavra para a sua consciência

Com isso vive e atua na Criação, e sem o espaço dela não pode ter consciência de si

O Criador, porém, em Sua inentealidade, está acima de tudo o que foi Criado, e Sua Vontade atua em sábia plenitude de amor para com toda a vida

Por isso o espiritual no ser humano distingue-se fundamentalmente do Divinal

Consideremos uma vez na sequência dos acontecimentos

Deus – o Criador criou a obra e nela depositou, com Sua Vontade que tudo abrange, as Leis da Criação que atuam duradoura e sabiamente

O espírito humano somente em seguida surgiu dessas Leis da Criação, nasceu delas e permanece duradouramente seu filho

Isso, porém, infelizmente muitos homens não admitem, em sua obsessão pelo desejo de sua ascensão até o divino

Lutam com isso e não querem admitir a derrota dada de antemão numa luta que também, na realidade, é apenas uma luta provocada por seu desejo errado

Mas aqui estamos novamente na essência da questão

Em muito do refletir dos homens sobre o mundo e a Criação reinam hoje a falta de clareza e a confusão

O reconhecimento de sua consciência e da capacidade do próprio livre-arbítrio traz, por isso, em si uma multidão de perguntas sem resposta para o ser humano

Assim vale justamente que, quando o ser humano, não raramente, se torna consciente de sua própria vontade no decidir, quer, em sua visão limitada, transferi-la à força para uma influência exterior, de modo que as coisas no âmbito da obra da Criação se orientem segundo as suas representações e desejos

Contra a aplicação ilimitada de sua vontade, porém, estão as forças das Leis da Criação, que sempre de novo o derrubam, quer ele as queira contornar, quer as afaste de sua vida

Com o seu querer sempre esbarra de algum modo nessas Leis, e elas o conduzem então por trilhos firmes, que ele não pode ultrapassar

Por isso muitos seres humanos constatam então que não têm forças para se elevar acima dos efeitos das Leis da Criação, que atuam sobre eles e que em muitos momentos intervêm implacavelmente em sua vida pelo cumprimento de uma vontade mais elevada do que a sua própria

Isso então os leva à obstinação, à irritabilidade, ou, ao contrário, à perda da vontade, ao embotamento ou até à completa rejeição da vida

Só raramente isso leva a uma humildade vivenciada de modo puro, resultante do reconhecimento de tudo aquilo que lhe é verdadeiramente dado pelo Criador mudar e formar em harmonia com as Leis primordialmente eternas da obra da Criação

No entanto, no espírito humano residem muitas capacidades sublimes e preciosas, que lhe poderiam ser mostradas para que, no domínio correto delas, aprendesse o uso do dom do livre-arbítrio e com isso se elevasse ao degrau de maturidade no qual pode tornar-se um verdadeiro cocriador da vida em determinadas partes da obra da Criação

Quanto, quanto está dado nas mãos do espírito humano, disso hoje quase ninguém dentre os homens terrenos tem consciência

Isso porque, em geral, aquela vontade de governar é percebida erroneamente pelos homens

Distorcida por representações de onipotência, tornou-se um caminho falso, e por isso, por fim, teve necessariamente de ser efetuado, por parte dos servidores enteais, o tolhimento até daquelas capacidades que residem no espírito humano

No entanto, o espírito humano poderia, em certo sentido, governar com a sua força interior quase todos os degraus da vida na Criação Posterior

Para a Criação Posterior as suas forças são suficientes, por mais que ele aqui esteja duradouramente subordinado às Leis da Criação onipresentes

Aqui, porém, está reservado às suas capacidades um espaço para que ele leve os seus impulsos à aplicação, isto é, para que os traga à vida

Graças às capacidades que lhe foram doadas como habitante espiritual da obra da Criação, ele pode depositar a sua vontade nos planos do mundo de matéria fina e do mundo dos pensamentos

Nessa possibilidade de aplicar os seus impulsos e o seu querer vibra um reflexo real, por mais distante que seja, do Divinal, que é doado ao espírito como equipamento para uma vida plena na Criação

Com esse dom lhe é permitido ser para sempre participante do desenvolvimento de partes inteiras da obra da Criação

Pode haurir para si alegria e amor desse formar, se aprender a usar a sua vontade para proveito bom e sábio

A sublime força que aflui a ele para tal cocriação amorosa e sábia há de elevá-lo cada vez mais ao bem-aventurado estado de dedicação e de fiel serviço à Luz e ao Amor do Criador

O querer ser senhor, abrasado pela plenitude de amor interior, há de vivenciar a mais alta felicidade no reconhecimento do verdadeiro conteúdo de “servir”

Servir à Luz significa, no mais alto grau do vivenciar, “poder também governar as forças que provêm das possibilidades da espécie espiritual, ou também enteal, dada na obra da Criação”

Governar grandes capacidades e forças que fluem através do espírito por meio de sua capacitação para integrar-se de modo criador no todo da grande harmonia da obra da Criação é algo que os homens um dia poderão usar de modo inteiramente consciente para o fomento do desenvolvimento de partes inteiras dela

Tudo isso traz em si o gênero espiritual humano, que deve aprender a manter-se nisso de modo correto e puro, com responsabilidade consciente

Mas olhemos à nossa volta para ver como nós, homens, administramos essas capacidades, como as usamos justamente aqui na Terra, que foi dada pelo Criador ao ser humano como lugar de aprendizado espiritual no uso do livre-arbítrio

Ali onde a força pura das capacidades espirituais poderia ser imediatamente aplicada pelos homens no criar e formar de obras somente belas, onde poderia e deveria reinar uma harmonia duradoura e fortalecedora, em toda parte ali encontramos apenas caricaturas desesperadas, a léguas de distância de todo formar e governar sábios

O ser humano, em seu querer, estende as garras para tornar-se igual a Deus no cumprimento do desejo de ter influência também sobre toda a obra do universo, e no entanto podemos contemplar o inglório resultado de seu governar no exercício do livre-arbítrio apenas aqui nesta Terra

Esta Terra é um plano de existência de matéria grosseira que desde o princípio foi confiado ao gênero humano para que ele o administrasse e nele vivesse segundo a sua melhor convicção quanto ao que é certo, e com isso fosse semelhante a um reflexo do formar divino

Hoje vemos como esta planície, outrora tão abençoada, é já há muito destruída pela brutalidade e pelo embotamento dos homens, que nunca perguntaram pela verdadeira Vontade do Criador

E, no entanto, para tal resultado é usada apenas aquela parte mínima das capacidades humanas de governar a matéria

Para que o ser humano de hoje possa dominar a matéria, tem de intervir nela com instrumentos equivalentes, isto é, de novo apenas pelos caminhos materiais de seu intelecto e de suas mãos, pois de outro modo não o consegue

Também intervém nos planos mais finos da matéria por meio de seu pensar e de seu sentir

Podemos vê-lo tanto no mundo exterior como no mundo dos pensamentos e nas formas despertadas pelo querer interior nas partes ainda mais finas dos planos de matéria fina

Em toda parte ali encontramos o resultado do formar humano

Vemos o testemunho de seu governar criador com essas forças nos planos que, para a parte evolutiva de seu caminho, lhe foram confiados desde o princípio por Deus Pai

O lamentável resultado do estado atual testemunha mais do que nitidamente quão irresponsável governante e administrador da vida é o ser humano nesta parte dos mundos que lhe foi inteiramente confiada às mãos

Olhemos apenas em torno do plano da espécie dos pensamentos, onde o ser humano é um verdadeiro formador de formas e de entes, para os quais lhe foi concedida pelo Amor de Deus Pai a substância para a formação

Isso é, no resultado, um testemunho acusador sobre o estado do verdadeiro rumo humano

O criar e formar de monstruosidades, de baixezas e de fealdades é a prova de quão distante está o ser humano da compreensão de suas capacidades e também da responsabilidade que resulta dessas capacidades

Em tudo o que agora vive aqui na Terra e nos mundos de pensamentos à sua volta, está demonstrada a lamentável atitude do ser humano perante o dom de poder formar e criar com a sua vontade

O resultado é o conspurcar e o arruinar de todas as partes que no princípio foram entregues ao espírito humano como planos das materialidades virginalmente puros e irradiados pela Luz, que aguardavam o plantio das sementes de seu querer benevolente

Isso não é digno nem sequer da designação de obra de uma criatura espiritual, e muito menos de portador da essência divina, como justamente tantos homens que anseiam tornar-se divinos gostariam de desejar

Não raramente falta nisso até a mínima parcela de pureza, de dignidade e também do verdadeiro querer de ter em si a consciência responsável de que, com isso, como seres humanos, participamos da coformação da harmonia do todo

Só aqui e ali vibra nesses planos de pensamentos algo um pouco mais puro e benfazejo, que traz em si ainda uma promessa parcial de beatitude

Na maior parte, porém, esse mundo criador do querer humano testemunha nitidamente a incapacidade de autodomínio sobre os próprios desejos e apetites

Isso está muito distante da verdadeira sabedoria do íntimo humano, que se manifesta sempre por meio das formas puras de todas as espécies de virtudes

Reflitamos, pois, aqui mais uma vez, de um ponto de vista um pouco diferente

Tudo isso testemunha a impossibilidade de a espécie espiritual humana ter algo de proximamente homogêneo com o divino, justamente já pelo fato de falarmos do desenvolvimento e da maturidade da espécie humana

O Divinal, porém, é afinal divino e não precisa desenvolver-se

O espírito humano, porém, precisa desenvolver-se, e nesse desenvolvimento não raramente se desvia do caminho e torna-se, para prejuízo seu e de toda a outra vida próxima, atrofiado em seu sentir do bem e da luz

Algo assim está excluído no Divinal, pois o divino é o ponto de partida de todo o Bem e de toda a Luz

O Divinal é a fonte da Luz por sua essência original de Divinal

O Criador é o Criador porque tudo o que se desenrola a partir de Sua Vontade está Nele consumado desde o princípio primordial

Nisso reina entre o Divinal e o espiritual uma diferença intransponível

O Divinal é o doador da Verdade e da Vida, ao passo que o espiritual precisa ter à sua volta essa Verdade e essa Vida para somente então poder desenvolver-se em seus dons e capacidades espirituais

O espiritual, portanto, em seu reconhecimento da Verdade sobre a Vida, transforma-se e desenvolve-se rumo a uma compreensão mais elevada de si mesmo e de sua tarefa na Criação

E justamente tudo o que hoje é formado pelos homens fala nitidamente de sua incapacidade até agora de reconhecer corretamente a Verdade e a Vida e de estar em harmonia com elas, clara e firmemente, no plano da nobreza de caráter e da nobreza de origem espirituais, que pertence inseparavelmente à espécie espiritual humana

Também aqui isso provoca num observador sério uma contradição que só dificilmente se pode superar

O que se pode encontrar na atuação dos homens na Terra até agora, ao longo de milênios inteiros, como razão para a confirmação de uma maturidade crescente

Pois muitos homens temem eles próprios as suas criações, sejam materiais ou de pensamentos, têm medo delas e não querem reconhecê-las como suas

Um espírito que teme ele próprio a sua obra, como é o caso das formas de pensamentos e também das fúrias e harpias nascidas do querer intuitivo do mal, é um fraco e não o portador da promessa de uma autoconsciência divina

Tomemos o mencionado conceito de medo

O medo reina entre os homens em toda parte onde há receio do que está por vir

É indiferente se isso está num presente próximo ou ainda num futuro distante

Daquilo que deve vir cresce no ser humano o medo e o receio

Há aqui, portanto, o medo do desenvolvimento futuro, que é desconhecido para o espírito humano

No pressentimento espera-se a chegada do ruim, do doloroso, do pior e do mau

Em vez da confiança no Bem e na Luz, que cresce da pureza do íntimo, os homens formam formas de medo, que em retorno os despojam de grande parte de suas forças tão preciosas

Em toda parte onde reina o medo do desenvolvimento vindouro, há a prova de um completo desconhecimento do curso da obra da Criação

Quem não conhece a obra da Criação e as Leis que nela atuam não pode formar com a sua força criadora as formas de vida certas e abençoadas à sua volta

Não pressente que a fé no Bem, junto com a coragem, a sabedoria e a pureza imprescindível, traz sempre apenas a vitória

Onde se espera a vitória, ali jamais podem surgir formas de medo que em retorno atacam os seus formadores

Mas a fé na vitória só pode ter aquele que conhece as Leis da Criação e em seu íntimo se esforça por um agir puro e honrado, sem consideração pelo mundo exterior

Essa conformidade com as leis, porém, os homens não conhecem, não têm, portanto, confiança nela, e por isso receiam o que deve vir

Com isso o ser humano prova que não é quem governa, nem quem se subordina corretamente às Leis da Criação, pois não conhece essas Leis e não confia em sua atividade

Permanece tateante e assemelha-se a uma criatura perdida numa selva profunda, cheia de sombras e sons desconhecidos

No entanto, no espírito humano dormita duradouramente a capacidade de reconhecer tudo isso

Pode tornar-se conhecedor da obra da Criação e de todas as Leis naturais que nela trabalham, se apenas ele quiser

Com isso cairiam dele todo o medo e todos os receios de todo acontecer futuro

A Criação, com os seus planos e mundos, tornar-se-ia para ele um lugar amigável, pleno da presença do pulsar divino do Bem e da Luz, e com isso, portanto, uma fonte de auxílio onipresente

O seu reconhecimento ampliado o conduziria cada vez mais a lugares de visão mais elevada e a alturas iluminadas pela Luz, das quais poderia perceber rapidamente que nada é casual e que tudo está sujeito ao curso perfeito das sábias Leis da Criação

Reconheceria também que ele próprio, como espírito humano, é dotado de uma força que lhe possibilita formar obras ousadas, se apenas escutar e se orientar pelas regras da grande harmonia que foi depositada na obra da Criação pela verdadeira Divindade do Criador, que em Sua inconcebível sabedoria e amor esteve no princípio de toda a vida

Com isso poderia tornar-se gradualmente um cocriador que, em sabedoria sempre crescente, insufla vida àquelas partes dos mundos que lhe foram confiadas aqui na Criação Posterior, como portador de uma centelha longinquamente desprendida da força divinal

Poderia tornar-se aquele sob cujas mãos germina e cresce uma vida plena de beleza e de alegria

Poderia ser portador do reconhecimento da Verdade em vez de propagador do medo proveniente da ignorância

E o mundo em sua proximidade reviveria, erguer-se-ia imediatamente num novo fortalecimento a partir do toque do querer ardente da centelha espiritual

Todos os servidores de Deus na Criação Posterior, aos quais pertence justamente todo o enteal de Valhalla e também os puros entes espirituais da Criação Primordial que se inclinam para as materialidades, todos eles se aproximariam do ser humano para apoiá-lo em seu esforço, enfim claro e sábio, de usar as suas capacidades para a coformação dos mundos da Criação Posterior

A tal desenvolvimento também a humanidade de hoje precisa chegar urgentemente, pois do contrário

a ameaça a destruição juntamente com tudo aquilo que até agora, em sua blasfema leviandade,

na presunção de sua grandeza e exclusividade acima da restante vida na Criação, provocou

Até agora foi apenas um tatear no exercício inconsciente de tudo o que é inferior, que conduzia o ser humano e o impelia para a frente através da vida

Isso, porém, precisa agora ser elevado e, no despertar a partir do verdadeiro reconhecimento, alçado a um degrau digno do formar de um espírito humano iluminado

Serão abrasados os matagais selvagens do mal errante e do baixo anseio por um governar indevido, sem uma responsabilidade aceita de antemão de modo plenamente consciente

Será derrubado o domínio das formas equivocadas provenientes do ser humano, que o colocaram enganosamente numa tal altura da Criação à qual ele nunca pertenceu e à qual também nunca pertencerá

Tudo isso está agora entregue às mãos dos Altos servidores enteais, para que seja varrido para as profundezas da condenação

E durante esse acontecer purificador nos mundos em torno da Terra, o ser humano precisa entretanto alcançar aquele despertar pela iluminação, para que de algum modo ainda lhe possa ser concedida mais uma vez a oportunidade de tornar-se o formador de um novo mundo de pensamentos

Daquele mundo que é o verdadeiro campo do formar, no qual se manifesta o reflexo da distante parcela de força desprendida da essência divinal, que o espírito humano traz em si

Não é, porém, o próprio Divinal, mas apenas um reflexo muitas vezes distante, que dormita na essência espiritual do ser humano

E é justamente com essa força que ele pode depositar a sua vontade no mundo dos pensamentos, para que ali, enfim pela primeira vez, forme com plena responsabilidade somente tudo aquilo que é proveitoso ao todo, pois nisso vibra a sua própria concordância com a grande harmonia que perpassa toda a obra da Criação

Nisso o ser humano é um verdadeiro soberano, e rei ou rainha

Apesar disso, porém, traz sempre inseparavelmente a sua parte de corresponsabilidade por tudo o que a sua força criadora forma a partir da substância que para isso lhe foi graciosamente emprestada

Pode e deve ser o administrador dos mundos à sua volta

Mas um administrador plenamente consciente e responsável, que cuida para que a sua força de querer forme somente o bem e um amável fortalecimento para todas as criaturas à sua volta

Também só poderá desligar-se dessa sua própria obra se a obra testemunhar a sua nobreza de caráter e a administração consciente das forças que lhe foram confiadas nas materialidades

Então também se desatarão as capacidades até agora tolhidas, e ao ser humano, em cooperação com os servidores enteais, será possibilitado mover com maior facilidade a própria matéria de espécie grosseira

Até agora isso não lhe foi possibilitado, pois ele levaria tudo rapidamente à catástrofe e à destruição

Por isso até agora não lhe foram dadas as chaves das forças que ao mesmo tempo trazem em si a possibilidade do uso de energias até agora desconhecidas, cuidadosamente guardadas pelos servidores enteais em cada partícula individual de espécie material

Tantas forças estão aqui guardadas na forma de irradiações e ondulações, que podem ser plenamente utilizadas para transformações da matéria numa extensão até agora jamais vista

A soma e a divisão dessas espécies de ondulações possibilitam que na materialidade, mesmo da espécie mais grosseira, penetre uma mobilidade que possibilitará que a matéria se transforme em novas formas segundo o querer da vontade que a dirige

Também forças poderão então ser liberadas da matéria de outro modo do que é conhecido agora

Mas isso só é possível sob a condição de que na Terra reine um grau predominante de sabedoria na maioria dos homens que aqui se encontram

E a tal sabedoria é preciso primeiro chegar trabalhando pela própria maturidade do espírito, que se mantém duradouramente em mobilidade e vivacidade por meio de seu sentir intuitivo

A maturidade espiritual conduz à perfeição

E somente essa perfeição madura da chama espiritual humana no ser humano o capacita para a aplicação de uma certa parcela da força criadora divina que habita em sua centelha íntima

Quem quer aproximar-se de Deus há de esforçar-se sempre por tornar-se verdadeiramente maduro e, com isso, perfeito nas capacidades que lhe foram dadas por sua origem

Pode e deve começar com isso já agora, nesta Terra

A verdadeira perfeição no sentido espiritual, porém, só o aguarda na entrada dos jardins bem-aventurados do lar espiritual, nos planos Luminosos da Criação Primordial

Somente ali, no vivenciar, compreenderá muito daquilo que aqui na Terra lhe permanece apenas uma sombra de reconhecimento

Conhecerá inteiramente a si mesmo em seu esplendor espiritual e conhecerá também a veneração alegremente glorificadora de seu Criador, o Deus Santo e Senhor