O Cavalo de Troia dos Dias de Hoje

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 3 de novembro de 2025

Original tcheco: Trojský Kůň Dnešních Dní · cesta-gralu.cz

“E, em meio à grande celebração de sua vitória sobre o inimigo, que de repente e inesperadamente se retirara, as multidões rodearam a estrutura do cavalo de madeira, que ali se erguia como estranha oferenda da longa guerra de conquista

No entusiasmo que a si mesmos os ensurdecia, muitos resolveram transportar o cavalo para dentro da cidade como troféu de sua vitória sobre os gregos, que já não se viam em parte alguma

Nem a mínima atenção foi dada à voz daqueles poucos hesitantes que haviam advertido contra isso

Entre os que advertiam contra tal ação estava também a filha de Príamo, Cassandra

Segundo a sua advertência, o cavalo deveria ser incendiado, para que ardesse ali onde agora se encontrava

Com isso concordavam também aqueles que percebiam que a estrutura não estava ali simplesmente assim, sem motivo algum

Esses poucos pressentiam em seu subconsciente que se tratava de um ardil procedente de Odisseu, o rei de Ítaca, que era conhecido como aquele que fora dotado de uma inventividade engenhosa e de uma astúcia tais como talvez nenhum outro dentre os homens trazia em si naquele tempo na Terra

Mas quem, dentre os que exultavam, dava atenção a essas vozes isoladas que se opunham ao seu intento

Escárnio e também rancor foram a resposta a toda hesitação e a toda advertência

E quando até um dos sacerdotes discordantes procurou atingir a figura de madeira com uma lança, surgiram de súbito da areia, debaixo do cavalo, grandes serpentes, que rapidamente o sufocaram com seus longos corpos

Para as multidões, algo assim foi um sinal mais do que evidente de que ninguém devia mais impedir a sua decisão já tomada

A turba dos entusiasmados atrelou-se à maciça estrutura de madeira sobre rodas e, com júbilo, puxou-a através do portão para dentro da cidade

Quem temeria um cavalo sem vida, quando já não havia em parte alguma nem vestígio dos adversários

As pessoas, ingenuamente exaltadas, cantavam louvores à ideia de que o cavalo lhes serviria como auxílio tornado visível contra eventuais ataques de todos os inimigos vindouros

O ídolo de madeira devia ser-lhes um apoio para a vida que viria

Essa visão queriam conservar e, ao mesmo tempo, alimentavam o pensamento de como seria se o cavalo se tornasse a garantia de todas as suas vitórias futuras

Com esse cavalo, afinal, também eles próprios poderiam subjugar cidades ou povos estrangeiros

Tudo se encaixava belamente por si só, e os olhos esbugalhados de madeira pareciam aprovar tais pensamentos

Assim, após longas celebrações e odes de louvor à clara confirmação da superioridade sobre o inimigo, a cidade, vencida pela embriaguez, silenciou, e sobre a orgulhosa Troia estendeu-se a faixa da noite escura

E eis que, de súbito, no corpo escuro, abriu-se um alçapão oculto…”

Estas palavras descrevem a antiga história da queda de uma cidade primeva, que pagou caro por sua leviandade

Embora os seus habitantes julgassem ter vencido, no fim a cidade inteira caiu e teve de vivenciar o horror da destruição

A epopeia mostra-se como uma antiga imagem da conduta dos povos de tempos remotos

Mas, infelizmente, a grande fraqueza que reside na mesmíssima ingenuidade dos homens vale também hoje

Pode-se dizer que hoje vale ainda mais do que antes

De novo está aqui armado um ardil por um inimigo impiedoso

É um ardil que a insensata maioria não reconhece

De novo, como outrora, também hoje o chamado de advertência é menosprezado e ridicularizado

Assim como Troia caiu numa única noite sob os golpes do inimigo, assim também a maioria dos homens de hoje caminha para um amargo despertar da superficialidade de suas insensatas ponderações

As advertências atuais valem, por isso, apenas para aqueles que querem ouvir, para ninguém mais elas aqui estão

A todos os demais as palavras não se destinam

Somente àqueles que querem ouvir é oferecida aqui, para reflexão, uma imagem que, embora exteriormente seja de todo diferente da atual configuração do mundo, conserva contudo em si a essência do princípio

Uma armadilha armada permanecerá sempre uma armadilha, quaisquer que sejam as diversas formas exteriores que assuma

Assim também hoje muitas pessoas atraem para a proximidade de sua pessoa uma voz ardilosa, que profere palavras sedutoras

A voz fala de tal modo que, gradual e imperceptivelmente, conquista a atenção e a confiança para tudo quanto comunica

Mas no instante em que houver conquistado a plena confiança de seus ouvintes, só então exercerá em tudo o seu domínio

Confunde por completo o homem, para que este a sirva, e onde isso não se der na forma de uma submissão voluntária, ali usará a sua influência para o enfraquecimento ou até para a destruição social de tal indivíduo rebelde

Tudo isso ainda está por vir

Hoje estamos no momento em que o cavalo, falando figuradamente, está sendo puxado, entre glorificações, através dos portões do atual mundo humano

Quem, ao contrário da maioria, vê isso e adverte contra isso é escarnecido, imputa-se-lhe uma volição impura, atribuem-se-lhe pensamentos maus

Quanta insensatez há nisso, isso ainda se mostrará

Esses já são em parte os primeiros efeitos da astúcia nele tecida, que anda de mãos dadas com toda a inventividade do intelecto

Aquele que vê algo diferente do que veem as multidões obcecadas deve, afinal, ser ele próprio mau

Sua advertência provém apenas de sua atitude errada

Exatamente assim aconteceu também a todos aqueles que advertiram contra todas as astúcias de Lúcifer

Os homens a ele submetidos procuraram sempre, com todas as forças, abalar a credibilidade daqueles que não estavam em uníssono com eles no louvor de caminhos que, entretanto, conduziam apenas para baixo, à penúria e à miséria espirituais

Desta vez, porém, as consequências visíveis de todos os caminhos errados, tecidos pela astúcia do intelecto, chegarão rapidamente à manifestação

Tudo isso é causado pelo efeito da irradiação do Raio de Parsival, que pulsa apenas logo acima desta Terra

Todas as decisões erradas dos homens serão agora, sob essa pressão, impelidas a uma manifestação acelerada, a fim de que se torne evidente o seu fruto doentio

Isso virá realmente num acontecer acelerado

Será com isso uma grande pena que muitas pessoas, de resto boas, sejam atingidas e também de todo desnecessariamente enredadas nos fios das consequências necessárias

Desses fios muitas pessoas poderiam ter-se guardado, se tão só tivessem estado mais de guarda com a sua intuição

Poderiam simplesmente, com leveza, ter passado ao largo de tudo isso, como de algo estranho a elas, que não poderia ter-se infiltrado em sua vida, se não lhe tivessem dado atenção nem o tivessem deixado atuar sobre as suas fraquezas, às quais pertence justamente também aquela tão subestimada imaturidade espiritual que se manifesta na ingenuidade no raciocinar e no pensar até o fim todas as consequências

A imaturidade espiritual e a ingenuidade dela decorrente são hoje, necessariamente, a consequência visível de um longo atraso no trabalho espiritual, que se manifesta pela intuição clarificada do homem

Poucos dentre os homens admitem que a falta de vigilância espiritual, e portanto a ingenuidade em muitos assuntos da vida na Terra, é sinal de uma insuficiente receptividade da intuição

Embora se fale de intuição e do sentir intuitivo, persiste ainda a incompreensão do que a intuição realmente é

Não é apenas a sensibilidade para a dor e as privações dos outros, através da bondade e do anseio de ajudar, embora tudo isso seja naturalmente parte inseparável do sentir intuitivo, mas é justamente também a capacidade de uma percepção viva de todas as conexões que envolvem o homem em sua vida

O reconhecimento das diferenças entre as Leis da Criação, que trazem em si a Vontade de Deus, e a configuração do atual mundo dos homens

Não, porém, para que o homem permaneça em oposição ou em desprezo para com este mundo, mas justamente para que, pela receptividade do seu sentir intuitivo, seja capaz de procurar e de encontrar os caminhos certos para uma vida plenamente espiritual e criadora

Por meio do seu sentir intuitivo vigilante, o homem pode e deve tornar-se alguém que se esforça por todos os ideais para a vida na Terra

Quem não sente isso intuitivamente de modo bastante vigilante, na mais alta vivacidade, deixar-se-á mais cedo ou mais tarde influenciar de algum modo pelo mundo exterior, enveredará por tal caminho e, com isso, tecerá necessariamente em seus fios do destino espécies de irradiação que um dia terá de depor, a fim de se tornar espiritualmente livre

A falta de vigilância na intuição abrange muitas condutas diversas, nas quais são cometidos erros nas decisões do homem

Dito em linguagem popular, o homem comete erros em suas decisões, dos quais depois se arrepende e que depois também não costumam ser tão fáceis de reverter para melhor

Aqui pertence a ingenuidade, que, embora seja frequentemente exercida com o melhor querer, conduz a grandes danos

Por isso podemos falar justamente de uma atitude imatura e ingênua como de um grave perigo para o homem, quando se trata das ardilosas ciladas colocadas por Lúcifer no caminho dos espíritos humanos em sua peregrinação pela Criação Posterior

E o princípio da tentação usa sempre os meios mais ardilosos para com os homens

A essência do ardil consiste em que, a princípio, não é de modo algum notado pela maioria dos homens

Quando então se manifesta, costuma já ser muito tarde para uma mudança

É, portanto, evidente que cada nova forma de ardil, lançada no mundo pelo tentador, não será a princípio reconhecida, e que os homens em sua ingenuidade julgarão que não se trata de nada que os ameace com más consequências

Por isso também toda advertência é frequentemente passada por alto, ou até ridicularizada, ou perseguida com irritação

Contra isso quase nada se pode fazer, pois a imaturidade espiritual dos homens na Terra é ainda uma fraqueza muito difundida da maioria

Para tais, portanto, não tem sentido que algo lhes seja inculcado contra a sua vontade

Algo assim não é cabível, porque a Luz não atua dessa maneira

A Luz adverte, mas não obriga o homem a atender aos conselhos ou às advertências

Os homens, no aprendizado do uso do dom do livre-arbítrio, precisam apropriar-se da capacidade de decidir por si mesmos

Com suas atitudes, tais pessoas apenas confirmam que ainda precisam de mais uma vivência, ou mesmo de várias vivências, que se seguirão como o necessário vivenciar recíproco de suas decisões erradas, nas quais faltou a vigilância de um sadio sentir intuitivo

E, no entanto, o sentir intuitivo é próprio do espírito humano sempre nas mais simples conexões

Vale literalmente que os homens precisam somar que um e um são dois

Na vida isso se manifesta de tal modo que, onde quer que surja algo novo, esse novo deve ser examinado primeiro pela intuição, isto é, perguntando-se o homem a quem, a quê e por que serve a coisa em questão, e isso não só no que está no plano visível, mas também mais profundamente, isto é, sob a superfície

Um exame objetivo, ligado ao sentir intuitivo, deveria afinal ter levado também os mencionados habitantes de Troia a compreender que estruturas como um cavalo de madeira sobre rodas não são construídas para que alguém as considere oferenda aos deuses, mas com alguma intenção que, embora não seja visível à primeira vista, deve ser objeto de sério exame, e isso até que tal intenção seja reconhecida em seus mínimos pormenores

Mas isso exige sempre esforço, e portanto tempo e força, se o homem quer conhecer algo novo por si mesmo até a sua própria essência, e não formar uma imagem apenas com base nas descrições de outras pessoas

Naturalmente, isso pode levar mais de um a dizer consigo que, nesse caso, não tem tempo suficiente para examinar muitas coisas de hoje, que a cada ano lhe são inteiramente novas

Nesse caso, porém, vale que ele pode renunciar a tal coisa, e isso temporariamente ou até para sempre, se não estiver seguro do que disso resulta para ele no sentido das Leis de Deus

Se, porém, apesar disso, decidir utilizar isto ou aquilo para si, ou ainda oferecê-lo a outras pessoas, sem ele próprio conhecer todas as conexões, então não pode admirar-se de que, a partir desse instante, comecem logo a desenrolar-se para ele fios do destino que exigem expiação, os quais sempre se regem pelos efeitos das Leis de Deus

Vale, portanto, como aliás durante milênios inteiros, sempre primeiro a reserva e um suficiente exame sadio, antes que um insensato lançar-se ao encontro de coisas desconhecidas que, embora exteriormente pareçam talvez em seu início um ganho e uma melhoria das condições de vida na Terra, estão contudo, nas conexões mais amplas, em aguda oposição ao desenvolvimento que vibra segundo a predestinação da Vontade de Deus

O sadio sentir intuitivo é, por isso, o melhor armamento, que o homem deve utilizar em sua aproximação de tudo o que é desconhecido ou novo para ele

Não são necessárias para isso reflexões tão complicadas como poderia parecer em vista das múltiplas confusões da época atual

O sadio sentir intuitivo só pode conduzir sempre àquilo que se pode chamar de simples reserva e observação vigilante das conexões

Ainda que tal homem talvez possa parecer um retrógrado aos olhos de pessoas ingênuas e superficiais que se precipitam ao encontro de tudo o que é novo, decisiva é sempre a relação do homem com as eternas Leis de Deus, e não com as chamadas novidades revolucionárias da época

Decisiva e primordial é a relação com a eternidade do ser, e tudo o mais vem somente depois dessa relação

Em proporção à existência do espírito humano, o tempo terreno é apenas um ínfimo lampejo em seu vivenciar integral

É, por isso, de admirar quanto da preciosa existência espiritual é sacrificado pelos homens, em sua ingenuidade, ao moroso depor de fios do destino inteiramente desnecessários, que sempre têm necessariamente de apresentar-se quando na vida do homem algo está ajustado de modo errado e pelo que ele entra em contradição com a harmonia da consonância integral da obra da Criação

Muitos espíritos humanos estão atrasados em seu grau de maturidade e, por isso, ainda lhes falta o discernimento intuitivo certo e seguro naqueles assuntos que são evidentes, desde os primeiros instantes em que se deparam com algo novo, para todas as personalidades espirituais que vibram mais alto e, com isso, mais maduramente

Os espíritos maduros não podem ser apanhados tão facilmente pela astúcia das ciladas do tentador como aqueles que ainda estão demasiadamente atrasados e que se aproximam da vida de modo superficial ou ingênuo

As ciladas de Lúcifer podem assim atuar devastadoramente apenas nas fileiras daqueles que ainda estão atrasados em sua maturidade

O Amor de Deus, porém, ajuda a todos

Por isso adverte muitas vezes de antemão sobre todas as ciladas que espreitam, habilmente mascaradas, no mundo humano na Terra

O auxílio que consiste em lembrar a vigilância só pode, porém, encontrar solo ali onde a intuição do homem já está mais viva numa mobilidade adquirida

Onde o espírito dorme, ou onde o intelecto excessivamente cultivado detém a supremacia no homem, ali as ardilosas ciladas se impõem com surpreendente facilidade

Disso surge então muito dano, que com o redemoinho de seu impacto arrasta não só o indivíduo, mas atinge em parte também o seu ambiente

Por isso tiveram também de sofrer juntamente, no tempo da devastação de Troia pelos ardilosos gregos conduzidos por Odisseu, muitos daqueles habitantes da cidade que, por si mesmos, jamais teriam puxado o cavalo de madeira para dentro das muralhas da cidade

E exatamente assim acontece no caso de cada novo ardil armado contra espíritos humanos não vigilantes na época atual

E, no entanto, nunca precisaria ser assim

Apenas um pouco de movimento interior vivo, e as armadilhas ardilosamente armadas, como cavalos de Troia dos dias de hoje, poderiam ficar fora das muralhas daquelas pessoas que utilizam o seu sadio sentir intuitivo

Assim continua a valer aquela eterna pergunta que ressoa sobre a humanidade: quando finalmente os homens aprenderão mais e começarão a guiar-se, em primeiro lugar, por sua percepção clarificada?

A resposta a isso paira próxima

O despertar virá, mas será primeiro pago com a amargura de vivenciar erros insensatamente ingênuos

Tudo mudará para melhor no tempo do advento da grande iluminação espiritual, que felizmente já não está longe

Antes, porém, que essa iluminação chegue com toda a bênção que nela reside, muitos destinos humanos terão ainda, evidentemente, de afundar profundamente na necessidade de expiar fios do destino inteiramente desnecessários

O Raio de Parsival, porém, traz a grande mensagem do fim de toda tentação e de toda astúcia, que, na inércia do extinguir-se do princípio do arcanjo caído, ainda aqui na Terra se impõem

Quem, portanto, perseverar em vigilância e também na mais alta tensão das forças de seu espírito, será agraciado pelo Raio de Parsival com um grande fortalecimento para uma certeza sem precedentes da percepção clarificada de tudo o que vibra corretamente em harmonia com a eternamente primordial Vontade de Deus na obra da Criação

Oxalá haja o maior número possível de tais pessoas