A Maturidade das Nações

O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 25 de maio de 2023

Original tcheco: Zrelosť Národov · cesta-gralu.cz

Magnífica é a Terra, concedida ao ser humano como lugar onde ele pode lentamente amadurecer. A imagem do amadurecimento do espírito humano pode ser observada também na criança terrena, que tem de ser cuidadosamente conduzida através da vida, para que aprenda a conhecê-la e aprenda a usar corretamente a sua livre vontade. Nesse tempo, esta está atenuada em direção ao exterior e, em seu lugar, passa ao primeiro plano o impulso de imitação, de modo que a criança não sente como restrição o fato de os pais não lhe permitirem fazer tudo o que lhe vem à cabeça. Enquanto for interiormente pura, segue de bom grado a sua condução, porque confia plenamente nela e sente-se feliz nisso

Algo semelhante se dá também com nações inteiras. Também as comunidades humanas foram de início firmemente conduzidas por seus chefes ou reis, que não lhes davam grande espaço para decisões próprias. Apesar disso, não o sentiam como restrição, porque confiavam em seus chefes e reis. Consideravam-nos sábios e justos e estavam convencidos de que segui-los lhes traria felicidade e alegria

Enquanto o desenvolvimento da humanidade ainda não se desviava dos caminhos indicados pelo Criador, isto é, enquanto ainda era natural, essa confiança em seus líderes trouxe ricos frutos, porque eram realmente os indivíduos mais maduros e mais sábios. Em muitos casos tratava-se até de espíritos luminosos e maduros especialmente preparados, que se encarnavam na Terra justamente com esse fim. Assim a Luz podia fluir para todos os aspectos da vida terrena

Nesse tempo as pessoas podiam também reconhecer facilmente esses verdadeiros líderes terrenos e segui-los com alegria. Possibilitava-lhes isso a pureza infantil. Nas comunidades tribais menores, onde todos se conheciam mutuamente, isso não era difícil, porque as pessoas conscientemente ligadas à Luz sobressaíam especialmente pela coragem e pelo modo de resolver problemas, no qual todos podiam perceber constantemente uma sabedoria altamente superior

Mais tarde, quando as diversas tribos cresciam ou se uniam de modo natural em nações maiores, onde as pessoas já não podiam conhecer-se mutuamente, a sabedoria da condução foi assegurada pelas formas da monarquia hereditária. Com base na atração da igual espécie, um rei podia então encarnar-se num casal real e podia desde pequeno ser conduzido e especialmente preparado para a sua futura tarefa de governante pelos melhores mestres, diretamente no ambiente real. Até hoje conservaram-se símbolos que personificam os dons espirituais da Luz aos governantes eleitos, como, por exemplo, a coroa real, o manto ou o cetro. Conservaram-se muitas das magníficas palavras que se podiam ouvir durante os solenes atos de coroação

A união das tribos em nações maiores de modo natural significa que isso se dava com base na atração magnética da Luz. Quando um governante especialmente luminoso se encarnava na Terra, isso tinha de se manifestar em todo o reino de tal modo que a harmonia, a prosperidade e as obras de seus habitantes tinham de ser visíveis ao longe. Isso podia então tocar os chefes de mentalidade pura das tribos vizinhas, que vinham render homenagem ao soberano luminoso submetendo voluntariamente a si mesmos, e com isso também a sua tribo, à sabedoria de sua condução, de modo que o reino luminoso e o seu poder podiam crescer

Também isso, porém, não se dava de modo arbitrário, como se qualquer um pudesse tornar-se habitante de igual valor do reino luminoso. A mistura de nações de diferente maturidade era excluída pelo fato de os sábios soberanos manterem uma rigorosa hierarquia por meio desses chefes subordinados, que continuavam responsáveis por suas tribos nos domínios cotidianos da vida. Isso permitia ao mesmo tempo aos chefes tornarem-se mediadores ainda melhores da Luz, compreensíveis para círculos cada vez mais distantes. Restos desses princípios, embora em considerável deformação, conservaram-se naquilo que chamamos “sistema de castas”. Podem ser encontrados também nos atuais países chamados “descentralizados”, como, por exemplo, a Suíça, onde tal divisão do poder e das responsabilidades possibilitou a convivência em paz até de várias nações durante um longo período, e isso mesmo quando em toda a volta se enfureciam guerras

Um desenvolvimento natural no amadurecimento teria significado que as leis dos reinos mais luminosos se aproximariam cada vez mais das leis da Vontade de Deus, e o Reino de Deus poderia assim estender-se por toda a Terra. Cumprir-se-ia assim a promessa da vinda do Rei dos reis, o que pressupõe também que, apesar disso, se conservaria na Terra uma multidão de reinos terrenos independentes e, por isso, também livres, e também de agrupamentos menores, por exemplo tribos, com regras próprias, sempre exatamente adaptadas à maturidade, à cultura e também às capacidades singulares dos habitantes locais. E, do mesmo modo que na história se conservou a graduação de certas cidades como “reais”, nem todo governante poderia portar o sublime título de “rei”. Pois isso pressupõe a personificação das virtudes de governante, que condicionam a inclusão de um reino no “Reino dos reis”. O conceito de “rei”, em sentido puro, significa: aquele que serve à Vontade de Deus, ao Espírito Santo ou ao Filho do Homem como verdadeiro e único herdeiro legítimo e Rei da Criação

A existência de uma multidão de reinos independentes e livres, apesar de estarem subordinados a um único “Rei dos reis”, pode dar-se porque, quanto mais perto da Luz, tanto mais gerais, mas tanto mais abrangentes, são as leis. Tanto mais se assemelham a princípios fundamentais unitários, que, no entanto, dão a possibilidade de um número infinito de formas concretas de realização terrena. Não prendem o ser humano em particularidades, mas somente na direção que, em última consequência, conduz cada um à Luz. Por isso vale que, quanto mais madura for uma nação ou um ser humano, tanto menos estará preso a restrições concretas. Pode-se dizê-lo também assim: juntamente com a maturidade cresce também a liberdade do ser humano. Exatamente como pudemos observar na imagem da criança terrena do ser humano, que de início tem de ser segura firmemente pela mão em quase tudo. Só mais tarde os pais lhe podem permitir cada vez mais liberdade de movimento

O governo do Reino de Deus na Terra contém na realidade apenas uma única Lei perfeita ou princípio, e esse é o princípio da concordância com a Vida, o que é o mesmo que o princípio da concordância com a Vontade de Deus, ou com a Verdade. O Filho de Deus, que também é parte da Trindade divina e nisso forma uma unidade também com o atual Rei da Criação, resumiu outrora tudo isso nas simples palavras “Eu sou a Verdade, o caminho e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.”

Procurar tudo o que está em concordância com a Vontade de Deus ou com a Verdade, isto é, colocar-se a serviço do Rei da Criação e com isso trazer e difundir o Reino de Deus na Terra, e, em concordância com tudo isso, criar obras variadas, que já só por essa razão têm de ser sublimes, edificantes e, com isso, também grandes – é uma tarefa magnífica, que traz a mais pura alegria, para cada ser humano

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Assim teria de ser o desenvolvimento, se tivesse seguido o modo natural, isto é, desejado pelo Criador. Em consequência da queda no pecado, porém, tudo se desviou de seus rumos originalmente traçados. Em tudo só puderam surgir caricaturas da harmonia original, que devia ter surgido em toda a sua beleza, caricaturas que trazem dor e sofrimento. A Luz não podia conduzir o ser humano na Terra enquanto ele mesmo não o quisesse. Pelo orgulho do próprio intelecto e da “sua” condução, ele mesmo se arrancou obstinadamente da amorosa e luminosa mão paterna

Na prática, pode-se imaginá-lo assim: as pessoas já não queriam deixar-se conduzir por líderes cuja ligação com a Luz ainda era ininterrupta, mas antes por aqueles que lisonjeavam as suas fraquezas. Com isso, porém, também elas literalmente seduziam e arrastavam ainda mais os seus falsos líderes, de modo semelhante a quando, em volta de uma pessoa com inclinações incipientes para o álcool, se dispõem tentadoras bebidas misturadas. Todos são assim corresponsáveis pelos frutos amargos dos falsos caminhos. Nem mesmo em tais acontecimentos se pode encontrar sequer um indício de injustiça, como se, por exemplo, apenas os líderes fossem responsáveis pelo modo como vai a vida de alguém

Não que as pessoas quisessem nisso algo mau. Certamente que não, pois a voz da consciência não se deixa sufocar tão facilmente no ser humano. Em seu pensar escutavam apenas a voz crescente do intelecto, que sempre sabe encontrar uma multidão de justificativas para realizar o que convinha às suas fraquezas, ainda que o ser humano ao menos pressinta que isso não é correto

Com isso, o intelecto apenas cumpre exatamente a sua tarefa e, por isso, também ele não pode ser responsabilizado. A sua tarefa é servir, e não avaliar a quem serve ou o que o seu serviço trará. Isso ele não consegue, porque também não é essa a sua finalidade. Por meio das formas de pensamento, está ligado ao todo e só consegue sintonizar-se com aquilo que ele ou outros já ali formaram. São esses os “trilhos batidos” que causam o mesmo modo de pensar de massas inteiras de pessoas espiritualmente indolentes. Ele sabe, é certo, combinar de todas as maneiras as formas que ali existem e com isso modificá-las ainda assim um pouco, mas para uma mudança da direção geral – isto é, para a criação de novos trilhos – não basta por si só. Para isso é necessária uma força espiritual, que o intelecto não possui, também porque, na verdade, deve servi-la

Também nisso reside apenas mais uma grande graça, um freio de emergência e também a justiça das Leis da Criação, que com isso possibilitam que um único ser humano, por mais desconhecido que fosse, pudesse facilmente mudar a direção de milhões de pessoas, se apenas conseguisse ligar o seu instrumento terreno à Luz

A expressão “os poderosos governam o mundo” adquire nesse sentido um significado inteiramente diferente. Por “poder” as pessoas de hoje imaginam na maioria das vezes algo terreno, como, por exemplo: tecnologias de extraterrestres, o exército mais forte do mundo, o dinheiro das corporações e toda a espécie de outras coisas. Também aqui, porém, “poder” no verdadeiro significado quer dizer: pura ligação com a Luz

Nenhum ser humano nem grupo pode dominar o mundo, ainda que tivessem à sua disposição todo o dinheiro do mundo e comandassem todos os exércitos – se nisso lhes faltasse a pura ligação com a Luz. Eles mesmos seriam conduzidos, ou melhor dizendo, arrastados para algum lugar sem poderem influenciá-lo, tal como os outros, que em sua imaturidade supõem erroneamente que são eles que os conduzem. Faltar-lhes-ia simplesmente o controle sobre o desenvolvimento dos acontecimentos, portanto também sobre se os seus planos se cumprem ou se voltam contra eles, como tantas vezes se pode observar. Pois todo acontecimento, todo e qualquer movimento, é apenas manifestação da mesma Vida e, por isso, sempre foi, é e será conduzido somente pela justa, sábia e perfeita Vontade de Deus, na qual sempre se pode confiar. Compreender isso e acolhê-lo inteiramente em si está ligado à maturidade do ser humano e de toda a nação, pois então também todos os seus atos se tornarão ponderados, corajosos e nobres

Por isso também o conceito “conduzir” significa, no verdadeiro sentido da palavra, “atuar magneticamente pela força de atração da Luz”. Onde isso falta, onde alguém procura “conduzir” atraindo pelas fraquezas dos outros ou, pior ainda, pela violência – ali nunca se pode falar de um verdadeiro líder, mas somente de um falso

Para uma compreensão ainda melhor, pode-se imaginar o ser humano na sociedade como um cavaleiro que, juntamente com outros, galopa para algum lugar, sendo que esse grande tropel nunca pode parar. Para poder dominar plenamente o seu cavalo, isto é, levá-lo a galopar na direção por ele desejada, não basta saber apenas como mover as rédeas, as mãos ou as pernas. Para isso é necessário que o cavalo sinta sobre si uma superioridade ou a segurança da condução. Enquanto não a tiver, faz o que quer. Ou melhor dizendo, comporta-se como um cavalo sempre naturalmente se comporta em casos semelhantes – corre atrás dos outros cavalos do grupo. E esse é também o nosso caso

O mesmo sucede com os cavaleiros que, é certo, galopam à frente do tropel, mas que também eles ainda não conseguem dominar plenamente os seus animais. Para o observador apenas parece que são eles que conduzem todo o tropel. Tanto mais que exteriormente também dão essa impressão pela vestimenta e também por toda sorte de movimentos “equestres” ensaiados, com os quais procuram exteriormente mostrar aos outros que têm a situação sob controle. Contudo, enquanto não aprenderem a utilizar a superioridade espiritual sobre o seu animal, também não o podem dominar. Não são eles, portanto, que conduzem todo o tropel, mas os seus animais, e também a sua posição nisso corresponde, na verdade, à de todos os outros

Se alguém, ainda que fosse um cavaleiro no próprio fim do nosso tropel, aprendesse a dominar o seu cavalo, isto é, conseguisse avivar a sua superioridade espiritual, então ultrapassaria facilmente todos os outros cavalos, para se tornar o primeiro cavaleiro e também o verdadeiro líder, a quem então todos os outros seguiriam. Inclusive os falsos líderes originais, aos quais não restaria outra possibilidade, porque parar não é possível

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Antes da queda no pecado os líderes sabiam conduzir com segurança os seus cavalos e, portanto, também as suas tribos ou nações, que os seguiam de bom grado. Isso garantia ao mesmo tempo que se tratava realmente de líderes luminosos. Quando isso depois mudou, já não pôde reinar como força determinante nas comunidades humanas a atração magnética da Luz, em torno da qual se poderiam assim formar círculos cada vez mais distantes de reinos ordenados, graduados exatamente segundo a maturidade, como se pode ver em toda a Criação. No caos que sobreveio, as diversas tribos tiveram de chocar-se umas com as outras, impelidas já apenas pela inveja, pela ânsia de poder e por outros vícios. Procuravam com isso roubar-se, enganar-se e, se possível, também subjugar-se umas às outras, não recuando, depois de algum tempo, nem sequer diante de assassínios em massa. As nações cresciam mais depressa do que deveriam, para poderem atacar e subjugar ainda mais os rivais mais fracos

Não era fácil, com isso, manter grandes países com várias nações subjugadas. Isso só era possível por uma forte centralização do poder juntamente com a tirania por meio da força militar, que tinha de estar constantemente presente nos territórios conquistados. Com isso, compreensivelmente, dava-se também a mistura de nações. Mas já não apenas com base na homogeneidade, por exemplo no amor puro de duas pessoas de tribos diferentes que depois decidissem viver juntas em algum lugar, mas de tal modo que se arrastavam mutuamente para a escravidão, se atraíam com a miragem de aventuras ou de ganho. Sob a pressão das novas circunstâncias acontecia também que os governantes contraíam casamentos forçados com o fim de um “poder” ainda maior, o que aprofundava ainda mais a tensão, a insegurança e as discórdias, já de si grandes

A Luz não pôde ancorar-se mais firmemente no governante de nenhuma nação. Faltava para isso a pureza necessária. Esta, porém, não se alcança apenas pelo caminho da alegria, como originalmente devia ser, mas também pelo caminho do sofrimento. Por isso também o Filho de Deus só pôde vir a uma nação oprimida. Não veio como rei terreno do reino mais poderoso e mais puro, em toda a glória que Lhe pertence, como teria de ser se o desenvolvimento tivesse seguido a direção correta

A obra do Filho de Deus não se destinava apenas às pessoas comuns, mas também aos reis. Como Rei dos reis atuou já pelo simples fato de ter trazido a Nova Lei, segundo a qual os reis posteriores no mundo inteiro podiam criar as suas próprias leis, estruturas e ordenações, exatamente adaptadas às suas nações. Também nisso podemos ver quantos caminhos estão preparados pela Luz para o cumprimento das promessas

O Reino de Deus na Terra poderia, por isso, ter-se estabelecido já naquele tempo, após o fracasso humano, se a nação dos judeus, que fora chamada, tivesse aceitado o ensinamento do seu Mestre. Da última nação oprimida ter-se-ia tornado muito rapidamente uma nação gloriosa, que teria conduzido as outras nações depois de se ter espalhado pelo mundo inteiro como nação de mestres

Quando depois falhou, espalhou-se também pelo mundo inteiro, só que sob outras condições. Depois dela vieram outros que se esforçaram pela conservação e pela difusão dessa preciosa mensagem, mas, infelizmente, também eles falharam continuamente

Para as pessoas comuns não era difícil reconhecer a falsa condução das igrejas. Facilitavam-lhes isso diversas doenças, epidemias de peste e outros golpes do destino. No anseio de ajudar os outros, muitos deles abriam-se à condução luminosa, que afinal está sempre perto de cada um que a deseje e a quem ela possa então ajudar. Juntamente com isso receberam dons de cura, com o que podiam semear nas pessoas ainda mais Luz e abri-las ao verdadeiro ensinamento do Filho de Deus, que já estava ancorado na Terra. Compreensivelmente, tornaram-se com isso um incômodo espinho no olho das igrejas, cujo poder sobre as pessoas ficou abalado. E, como no plano objetivo da luta não poderiam resistir, recorriam a intrigas desonestas. Começaram a designá-los como “bruxas”, responsáveis por todas as aflições das pessoas de então. Organizavam contra eles literalmente uma “caça”, na qual muitas pessoas tiveram de tomar parte

Aqueles que os conheciam tinham de ver a injustiça ligada a isso, sobretudo porque os processos contra as “bruxas” e as suas execuções eram muitas vezes públicos. Apesar disso, não se puseram suficientemente do lado deles, porque isso teria de quebrar o poder das igrejas. Talvez agissem assim por medo, e talvez também porque acreditaram nos discursos de que todos os dons e capacidades excepcionais das “bruxas” eram resultado de um “pacto com o diabo”

A humanidade de hoje talvez apenas sorria dos modos de pensar das pessoas da época da “sombria Idade Média”. Se, porém, refletirmos sobre isso, verificaremos que nem hoje é diferente. Também hoje há pessoas que procuram ajudar os outros. Se com isso conseguem trazer mais Luz, isso tem então de abalar o poder dos falsos líderes, que antes conseguiam esconder-se nas trevas e que depois procuram combater isso com intrigas, porque no plano objetivo nunca poderiam resistir. E, como isso toca um grande grupo de pessoas, também hoje se podem observar “caças às bruxas”. Só que em outras formas, quando em vez da expressão “bruxas” se usam expressões mais modernas, como, por exemplo, “organizações sem fins lucrativos”, “traidores da nação” e afins. E também a elas, para reforçar a ênfase numa “periculosidade” que não se vê, se atribui um pacto com algum “diabo” forte e sobretudo mau, que pode ter a forma de um grupo de pessoas não mais precisamente definido, de “corporações”, de um “governo mundial”, dos “judeus” ou talvez também de outra coisa

Embora entre nós essa moderna “caça às bruxas” seja usada “apenas” para assassinatos morais, não é assim em toda parte. Basta olhar para aquilo que hoje repercute, como um grande país, por causa desse modo de pensar, tentou subjugar um vizinho mais fraco, do que resulta também que ali até hoje, em nome da “luta contra o diabo”, se cometem dezenas de milhares de assassinatos de habitantes. Em território, trata-se do maior país do mundo, que é ao mesmo tempo multicultural, pois ali vivem até cerca de 200 diferentes grupos étnicos. Isso por si só tem de provocar tensões internas, que o governo procura conter por uma forte centralização do poder e da remuneração, juntamente com aparelhos particularmente fortes de serviços de segurança, polícia e exército

A maturidade das nações não está ligada apenas ao grau de liberdade interior e exterior de seus habitantes, mas reflete-se também em todas as posições e ações de seus governos, inclusive no modo como conseguem enfrentar problemas e estados de crise. É inseparável de uma confiança inabalável na sabedoria e na justiça das Leis da Criação, que regem todos os acontecimentos e só permitem que o ser humano seja atingido por aquilo a que ele mesmo antes deu impulso

M.V.