A Consciência Terrena do Homem
O CAMINHO DO GRAAL – TEXTOS COMPLEMENTARES – 25 de março de 2024
Original tcheco: Pozemské Vědomí Člověka · cesta-gralu.cz
Quando alguém pronuncia a expressão “consciência humana”, ou também “consciência do homem”, considera-se em geral que nesse conceito está contido absolutamente tudo o que se liga à personalidade do homem aqui na Terra
Em outras palavras, a maioria dos homens supõe que, tal como se percebem com a sua consciência daqui no corpo terreno, são justamente eles mesmos com tudo o que pertence à sua personalidade até a última partícula
Supõem que já não pode haver nada mais que ultrapasse os limites de sua atual capacidade de compreensão
Isso, porém, é errôneo
É mesmo tão profundamente errôneo que, na compreensão global do homem terreno, não pode haver maior equívoco em relação à sua natureza espiritual do que justamente essa visão, geralmente usada, da consciência humana
A consciência cerebral do homem daqui é um estado de consciência imensamente estreitado em comparação com a verdadeira amplitude de compreensão da natureza espiritual, que, no entanto, é o fundamento de cada ser humano
Pela consciência do homem aqui na Terra não é aproveitada nem sequer a décima parte da amplitude total do próprio saber do espírito humano
Toda a compreensão de tudo o que realmente se relaciona com o fundamento espiritual do homem é aqui, no corpo material, extremamente limitada, justamente em consequência da intensidade com que é usado o instrumento do cérebro nos momentos da chamada plena consciência diurna
O cérebro, com a sua atividade, forma apenas uma aparência enganosa de consciência plena
Essa consciência diurna que usamos é apenas um pequeno degrau parcial daquilo que, na realidade, expressa e preenche toda a própria natureza do espírito humano
Cada ser humano é, portanto, uma personalidade muitas vezes mais plena de valor do que aquilo de que se dá conta aqui em sua compreensão diurna na materialidade grosseira
Por isso também os homens, e até mesmo o meio científico, falam frequentemente ainda de algo como o subconsciente humano
O subconsciente do homem tornou-se já há tempos objeto do interesse dos cientistas
Contudo, nem a mais séria pesquisa da ciência pode jamais ultrapassar os limites que nisso lhe estão fixados, e por isso nunca compreenderá corretamente a vibração espiritual interior no homem
A ciência não pode trazer nisso nada de essencialmente revelador que possibilitasse a compreensão do espiritual no homem, e assim aquele subconsciente escapará permanentemente à sua apreensão
O subconsciente tornou-se também o alvo de muitos charlatães que se ocupam de hipnose, os quais não hesitam em penetrar à força nesses lugares no esforço de desvendar algo mais, não raro, porém, também para dominar as outras pessoas em sua espécie mais fina de existência
Tampouco aqui se trata do caminho certo, mas apenas de um vaguear pelas águas rasas do conhecimento
Em torno do subconsciente humano, que no pressentimento de muitos é ligado a algo especialmente valioso no homem, acumularam-se assim, ao longo dos séculos, por fim muitíssimas confusões
Por isso também o conceito de subconsciente, na falta de clareza assim criada, abrange fragmentos de toda sorte de coisas, em contraste com o caminho, de resto claro e nítido, da irradiação espiritual, que nisso reina nitidamente desde o princípio
A causa de todas as confusões acima mencionadas que nisso sobrevivem, mas também de um certo desespero de muitos que, em muitos momentos, não compreendem a si mesmos, é o hábito intelectual excessivamente cultivado no pensar e no compreender de toda a vida
Para a mencionada consciência espiritual, o intelecto é um lugar que forma um estreitamento na passagem da valiosa irradiação vibrante da volição do espírito
O estreitamento causado pelo trabalho intelectual do cérebro na consciência diurna forma então, na maioria das pessoas, um obstáculo tão forte que essa irradiação mais fina não consegue elevar-se em sua totalidade a um vivenciar mais consciente durante o modo diurno de o homem perceber e compreender
O intelecto, mas também a tibieza da própria centelha espiritual, são as maiores causas do nefasto estado atual da humanidade, em que a maior parte da natureza espiritual do homem já não pode passar com plenitude de valor para a sua autoconsciência terrena
Daí resulta que o homem terreno é, aqui na Terra, mais ou menos permanentemente um estranho para si mesmo
Não reconhece com mais clareza o que na realidade se desenrola em seu íntimo, ainda que talvez aqui e ali, em lampejos, intua algo
Muitos, é verdade, se esforçam, mas o resultado, apesar de todo o conhecimento aprendido pelo pensar a respeito dessas coisas, não lhes basta para se tornarem tais como também desejariam, isto é, para serem a cada instante eles mesmos, na plena consciência do reconhecimento das conexões, e também armados de uma certa espécie de saber
Contudo, a sua consciência diurna não lhes permite unir-se plenamente consigo mesmos, isto é, com a natureza espiritual em seu íntimo
São muito poucas as pessoas que podem dizer que, embora estejam em seu corpo material, são capazes de perceber plenamente, de modo duradouro, também tudo aquilo que a cada instante se passa em seu íntimo espiritual, para que isso as conduza com segurança nos momentos necessários da vida
Cada uma dessas pessoas deveria, no entanto, ser apreciada assim como são apreciadas as espécies raras de flores
Infelizmente, são realmente poucas as pessoas que vivem inteiramente em consonância com o seu espírito em todos os momentos de sua consciência diurna
É uma grande pena, pois nessa ligação reside o caminho para a transformação do indivíduo e de toda a sociedade
A maioria está muito separada de seu próprio perceber espiritual e intuitivo, o que conduz a grandes incompreensões do verdadeiro caminho
Falta então aos homens a ligação com as inspirações, a capacidade de sentir corretamente com os outros,
e, não por último, também a capacidade de perceber as sábias advertências antes da realização desta ou daquela decisão na vida
Muitas pessoas nem sequer suspeitam de como esse perceber de seu íntimo deve na verdade se apresentar
Sujeitam-se, pois, a preceitos e opiniões exteriores, que consideram como próprios, e isso mesmo percebendo mais ou menos claramente que se trata única e exclusivamente de experiências alheias, formadas a partir das condições de outras pessoas, e que os destinos de sua vida são determinados por fios inteiramente diferentes
Preceitos e conselhos, por mais bem-intencionados que sejam, nunca podem substituir o próprio vivenciar e a própria experiência
Para isso, porém, as crianças e os jovens são hoje muito pouco conduzidos
Pelo fato de que tudo o que chega à consciência diurna de fora, e também, inversamente, de dentro para fora, é sempre necessariamente comprimido através do cérebro, o homem recebe uma imagem do mundo ao seu redor e de si mesmo inteiramente diferente daquilo que realmente é
O que disso resulta para o homem, as pessoas hoje ainda nem sequer suspeitam
Em primeiro lugar vale que o homem, em sua essência, não é de modo algum apenas aquele que se considera ser aqui na Terra
Entre espírito, alma e corpo reina, no entanto, uma enorme diferença, que até agora escapou à maior parte dos homens
Já isso deveria bastar como motivo para uma séria reflexão
Deveria também ser um estímulo para se ocupar de como libertar-se dessas condições inadequadas ao espírito
A maior parte dos homens permanece nesse estado de percepção estreitada justamente porque não tem a menor consciência desse seu próprio estado desesperador
A consciência estreitada que reina para o espírito humano aqui na Terra tornou-se, no decorrer de vários milênios, um estado que é tomado como parte integrante da vida daqui, e isso embora na realidade nunca devesse ter sido assim
A compreensão estreitada, de modo intelectual, sem a própria compreensão intuitiva, tornou-se a norma uniforme para toda a espécie de pensar do mundo
Pequenos desvios, que abrangem diferenças nacionais ou religiosas, não desempenham nisso papel algum, pois o fundamento de toda a miséria do mundo humano é a configuração de partida do uso intelectual do cérebro
Na compreensão humana de todas as conexões deu-se um deslocamento tão imensamente grande em detrimento do íntimo espiritual que é possível chamá-lo de um estado sumamente trágico
Por isso há aqui também tantos desacertos ligados aos esforços dos homens para compreender tudo o que é supramaterial, isto é, tudo aquilo que se encontra em outro grau de vivacidade e liberdade, reinante já apenas um pouco mais acima, nos planos acima da densidade deste universo
O intelecto fica sempre parado diante de tudo o que é mais fino e que repousa no perceber interior do homem, pois em seu apreender é inteiramente incapaz de ultrapassar, no sentido ascendente, os limites da materialidade dentro dos quais lhe é dado trabalhar
E como a consciência diurna dos homens é formada em mais de nove décimos pelo perceber e pensar intelectual terreno, vale que os homens não são capazes de reconhecer com a sua consciência diurna nem sequer a si mesmos
Escapa-lhes a essência do conhecimento de si mesmos
Toda a capacidade de compreensão para tudo o que é mais fino, que daria espaço à receptividade da alma, e mais ainda ao eco da volição espiritual íntima, é relegada a segundo plano
Pode-se dizer que a consciência humana terrena é, por sua configuração, o elo mais fraco no tomar consciência do espírito humano em seus caminhos de desenvolvimento na obra da Criação Posterior
Infelizmente, porém, isso se tornou uma evidência totalmente habitual e, salvo exceções inteiramente isoladas, nenhum dos homens o percebe como algo incorreto
O fato de o estado da percepção humana terrena assemelhar-se, para o espírito, à vida numa jaula material da consciência intelectual não inquieta ninguém
Não é um vivenciar livre e desimpedido pela intuição, mas é predominantemente apenas o acorrentamento dos verdadeiros valores que se encontram no íntimo da maioria das pessoas pela chamada sobriedade, ou também, de outro modo, pelo frio calculismo do intelecto
Os homens não querem tomar consciência disso e, com isso, nem admitir que é necessário mudá-lo, para que possam ser verdadeiramente livres
Infelizmente, não tomam consciência disso nem mesmo em circunstâncias em que isso hoje traz ao indivíduo e a toda a humanidade consequências inteiramente ameaçadoras
Tomemos como exemplo apenas uma das muitas consequências desse estado, a saber, o fato de muitas pessoas na Terra negarem a existência de Deus como Criador
Isso única e exclusivamente porque o seu cérebro não consegue compreender todas as conexões ligadas a isso, pois estas se encontram, por sua natureza, fora dos limites do espaço e do tempo materiais
Não é, portanto, o espírito humano nem a alma que resiste à ideia de que tudo o que nos rodeia, e nós mesmos, temos um começo dependente de Deus, mas é apenas o cérebro material, que empurra para a consciência diurna do homem os seus conhecimentos exteriores da vida material daqui, na qual muitos acontecimentos parecem contrariar a Justiça e o Amor do Criador
Tal estado é tomado como uma opinião sujeita à visão humana do mundo geralmente aceita
E isso embora em qualquer parte mais fina da obra da Criação algo assim esteja excluído e seria considerado um defeito incompreensível
Assim também na Terra tudo era inteiramente diferente ainda há milênios, pois naquela época o espírito estava mais presente no perceber diurno dos homens
Por isso a compreensão das coisas supraterrenas era mais natural, e até era algo evidente para cada pessoa daqueles tempos
Tudo era atravessado pela vibração de uma maior receptividade simples, que a cada instante possibilitava que os homens de então se sentissem, também em sua consciência diurna, habitantes da obra da Criação, e não apenas terráqueos
Embora não reinasse em tal medida o conhecimento da ciência material como nos dias de hoje, todos os conhecimentos básicos sobre o universo, sobre a sua origem e também sobre as outras partes da obra da Criação eram conhecidos como algo que, em histórias simples, já era compreensível para as crianças pequenas
Isso era possível porque o espírito podia estar justamente de modo duradouro mais presente em todo o acontecer diário, pois o intelecto não lhe era um obstáculo tão grande, e graças a isso a compreensão de todas as coisas em seu princípio fundamental era penetrada pelos homens com uma transparência mais elevada, que sempre está ligada ao trabalho do espírito livre
Os homens sentiam-se hóspedes na Terra, e a transitoriedade da existência no corpo trazia em si a compreensão natural de que a possibilidade de encarnação na Terra é uma oportunidade para adquirir experiências deste plano de matéria densa com tudo o que a ele se liga, quer se tratasse das alegrias, quer dos sofrimentos a ele ligados
O nascimento e a morte não causavam a ninguém tantas dificuldades, nem eram motivo de medo do fim que se aproximava
O espírito que habitava o corpo via muitas vezes já de antemão para onde se dirigiria em seu manto anímico nos planos do mundo etéreo, que era chamado o Além, ou também as planícies ou os jardins da outra margem
Nenhum dos homens se admirava com isso, pois tudo isso era parte natural da grande capacidade de compreensão de uma geração espiritualmente aberta
E também justamente o espírito, por meio do domínio do corpo, penetrava mais facilmente e mais plenamente em todas as atividades na Terra, e com isso se apropriava delas com leveza, junto com a compreensão de que tudo isso são para ele dádivas de Deus, preparadas em seus caminhos de conhecimento da obra da Criação
A relação com a natureza formava-se não por derivação da forma exterior das plantas e dos animais, mas por meio do conhecimento mostrado ao espírito humano pelos servidores enteais, que ele tinha por toda parte ao seu redor
Em tudo podia ser encontrada uma certa simplicidade infantil, que está necessariamente ligada à simples naturalidade da centelha espiritual no homem
A centelha não reside diretamente no corpo material, mas está ligada a ele por meio de uma fita viva de irradiação, da qual se formam várias correntes que, como resultado, vivificam o corpo terreno
Também o corpo não é consciente por si mesmo, como geralmente se considera, mas apenas espiritualmente vivificado, e sem a ligação com a irradiação espiritual perderia quase imediatamente, de modo necessário, toda a vida consciente
Mas tampouco o espírito está ligado ao corpo tal como é apresentado por aquelas pessoas que se julgam conhecedoras nesse assunto, isto é, que ele estaria diretamente imerso no corpo como uma substância mais fina absorvida, em certo sentido, por um invólucro mais denso da matéria
Nada disso é de modo algum necessário para que o espírito perceba o corpo terreno inteiramente como seu
Tudo na Criação é irradiação
E dessa irradiação é sempre tecido aquilo que é ainda mais denso e, portanto, em si mesmo menos radiante
A irradiação que vai do espírito à alma e, adiante, da alma através das camadas intermediárias mais finas termina por fim, através das fibras nervosas, na ligação com o corpo
O sistema nervoso no corpo pode ser chamado de a espécie mais condensada de irradiação, que liga o que é de matéria grosseira aos graus mais finos do ser consciente
No ápice desse sistema nervoso do corpo está o cérebro, como central que liga as muitas irradiações dos nervos, de modo que, por meio dos sentidos, o mundo terreno possa ser percebido como presença plena de valor
Assim deveria ter sido sempre, para que em parte alguma desse caminho de percepção, em ambas as direções, surgisse um retardamento, ou até mesmo uma paralisação
Contudo, aconteceu que o cérebro, como instrumento central, assumiu para si a competência que originalmente pertencia apenas ao espiritual, isto é, a competência de decidir o que é e o que não é correto
Com isso tudo se estreitou apenas à percepção do que é correto para este mundo terreno, e tudo aquilo que valia e vale como sumamente importante para o próprio íntimo espiritual ficou separado
O respeito aos valores mais elevados, a percepção da própria consciência moral, a clareza na compreensão das conexões mais elevadas na vida, tudo isso ficou, para o tempo terreno em que ao espírito é dado o instrumento do corpo terreno, relegado a segundo plano e mais ou menos separado
Isso levou, entre outras coisas, a que se perdessem a imaginação espiritual, a intuição e a verdadeira ligação com todos os auxiliares que se encontram ao redor de cada ser humano
Sobreveio um estado de paralisia da ligação mais clara com todos os planos mais finos dos mundos na obra da Criação, ligação essa que deveria ter sido conservada para sempre como corda de auxílio para a humanidade
Essa corda foi cortada pela atividade intelectual do cérebro, e o espírito teve de permanecer silenciado para a vida terrena, por mais que seja ele quem tem a competência para toda decisão
A humanidade tornou-se uma massa errante, sem direção e meta mais claras
Em sua limitada capacidade de compreensão, os homens não conseguem sequer imaginar que as coisas pudessem ser de outro modo do que até agora são compreendidas
Por exemplo, os homens não conseguem imaginar como o desenvolvimento na Terra poderia seguir sem a presença do mal
Muitos deles afirmam que, para que na Terra se mantenha o movimento do desenvolvimento, é necessário que o bem e o mal caminhem lado a lado
Também não conseguem imaginar qual poderia ser a tarefa de Lúcifer, se esta não consistir na tentação do homem
No entanto, para o espírito vivo é fácil compreender que o bem forma a possibilidade do afluxo de forças cada vez maiores vindas da Luz
Esse afluxo trará então sempre inspirações que sempre colocarão diante do homem novas perspectivas de criação, que nem aqui na Terra têm nem jamais terão limites
Oferece um espaço no qual o homem só pode avançar com o emprego das mais altas forças
Ao contrário do que ocorre quando o bem se choca com o mal, o resultado da boa disposição dos homens não são danos e sofrimento, mas apenas um fortalecimento geral e a alegria pelo progresso alcançado
Disso decorre então um conhecimento espiritual da obra da Criação muitas vezes mais valioso
Aqueles, portanto, que falam da necessidade do choque das forças do bem e do mal como estímulo necessário ao desenvolvimento da humanidade nunca compreenderam a essência da Sabedoria de Deus
Também não compreenderam que Lúcifer de modo algum deveria ter sido o tentador, tal como hoje é conhecido e também entendido pela maioria daqueles que admitem que tal ente de origem arcangélica realmente existe
Não compreenderam que a sua tarefa original, decorrente de sua origem divino-enteal, consistia na tarefa de auxiliar do espírito humano em seu desenvolvimento
Ele devia trazer o conhecimento sobre a obra da Criação, devia trazer caminhos para a cooperação dos homens com os Altos servidores enteais de Valhalla, que no início de sua tarefa lhe vieram confiantemente ao encontro e cumpriram fielmente todas as suas determinações na formação do mundo terreno dos homens
Lúcifer devia ser aquele que, ao reconhecer a fraqueza do espírito humano em seu adormecer e em seu voluntário entibiar-se nas lonjuras das materialidades, formaria caminhos para o fortalecimento e o reconforto em seu caminho de desenvolvimento
Para isso tinha também sobre si a grande bênção de Deus, até o momento em que despertou nele o orgulho pela obra realizada, que considerava sua
O erro de Lúcifer foi ter começado a supor que era mais valioso para a Criação do que Parsival, que habitava no Burgo do Graal primordialmente criado como o legítimo administrador e mantenedor de toda a obra da Criação, designado por Deus Pai, em quem, para esse serviço, repousa para sempre, imersa, uma parte da irradiação divinamente inenteal
No primeiro lampejo dessa tomada de consciência de Lúcifer oculta-se toda a sua subsequente tragédia, que teve de sobrevir para ele e para a humanidade, bem como para toda a parte da Criação Posterior
Por isso também teve de ser finalmente derrubado pelos Arcanjos para isso chamados, tendo à frente Miguel
Todo o início do acontecer, que também conhecemos de muitos registros da humanidade, reside na vacilação e na queda de Lúcifer, que nunca teve de Deus a vocação para passar à aplicação de seu princípio de tentação em relação aos espíritos humanos nas materialidades
Tudo isso só ocorreu depois de sua queda, que teve de vir com o seu desligamento da ligação com a Vontade de Deus
Se isso não tivesse acontecido, o desenvolvimento de toda a vida na obra da Criação Posterior poderia ter-se desenrolado de modo inteiramente diferente, e não teria sido necessário que entrasse entre os espíritos humanos algo como o conhecimento do sofrimento e da dor, assim como não teria sido necessário que se desenrolasse, para muitos, uma cadeia tão longa de atos, que nas leis da Criação sempre serão obrigados a depor somente por meio do vivenciar de retorno
Para que o espírito humano amadureça para a sua radiância interior, precisa conhecer a Vida da obra da Criação em sua totalidade, precisa, em primeiro lugar, por meio do vivenciar, participar da Harmonia que vibra através do conjunto da Obra de Deus
Isso o torna maduro, e ao mesmo tempo não precisa, com isso, sobrecarregar-se com a necessidade de expiar os seus graves erros e deslizes
Se as pessoas que difundem as suas opiniões filosóficas sobre Deus e a sua obra, que ligam à necessidade da chamada dualidade, isto é, do bem e do mal caminhando juntos lado a lado como necessidade do desenvolvimento, refletissem apenas um pouco mais seriamente, teriam de chegar à conclusão de que então toda a parte espiritual e primordialmente criada dos habitantes da obra da Criação estaria necessariamente empobrecida, pois naquelas regiões nunca se encontrou o mal como entre os homens na Terra
Com isso, tudo o que se formou imediatamente no espiritual teria de parecer, em comparação com as experiências dos espíritos humanos expostos ao princípio da tentação, como de menor valor
Isso, porém, significaria também que toda a Obra de Deus está edificada sobre o arbítrio, e não sobre Leis permanentemente imutáveis, que contêm em si a Vontade de Deus
Algo assim está excluído, e isso é comprovado justamente pela atuação automática das Leis, que vigoram desde o início até o fim de todas as partes da Criação
Nenhuma criatura precisa de tentação para amadurecer na Obra que surgiu da perfeita Harmonia
A única coisa que em toda a Obra é percebida como motivo para uma certa vigilância, e para a combatividade daí decorrente, mesmo nas mais altas alturas, é o conhecimento de que a Criação foi, em seu início, gerada pela Vontade de Deus no nada, no qual não há outra coisa senão rigidez e um certo vazio frio sem noção de espaço
Essa consciência conduz ao consciente apegar-se de todos à Luz, somente na qual há para eles vida e permanência
Nisso reina aquele estado de alerta para que, pela insuficiência de movimento dos habitantes da obra da Criação, o Amor de Deus não tenha de se fechar e se retirar, o que significaria o necessário perecimento da obra da Criação
Contudo, por essa vigilância e esse estado de alerta na manutenção de tudo em movimento e em próspero desenvolvimento, chega sempre a todos um poderoso afluxo de nova força de Deus, vinda do Graal, que em si mesma é a promessa da eternidade da duração de toda a Obra
Contra essa vigilância nunca se levantou nem mesmo Lúcifer, que fundamentou ele próprio a sua defesa perante Deus no fato de que justamente o espírito humano, com a sua tibieza, que manifesta ao tropeçar nos obstáculos por ele intencionalmente colocados, é justamente uma certa ameaça para a parte da obra da Criação
Afirmava que a humanidade, como o que há de mais fraco no espiritual, não merece ter a possibilidade de tal Amor de Deus que lhe permita desenvolver-se, pois é fraca demais para isso
Como instrumento para a realização de sua prova, também não precisava de nenhuma longa lista de tentações isoladas, mas bastou-lhe transferir o ponto central da decisão do homem de seu espírito para o intelecto material
Para demonstrá-lo, deslocou o princípio de seu serviço, que consistia em ajudar tudo o que é mais fraco, para a separação rigorosa desse mais fraco em relação ao auxílio, e, ao contrário, colocou como o maior obstáculo no caminho dos espíritos humanos o pensar material friamente terra a terra, que contém todo o resto como formas secundárias de tentação, com o que queria provar a fraqueza deles na obra da Criação
Queria mostrar que o espírito humano não consegue, por si mesmo, com a sua irradiação, abrasar de novo esse obstáculo e superá-lo, e que com isso todo o Amor de Deus por ele se mostra como desperdiçado em vão, sem resultado
Com isso, porém, colocou-se ele próprio inteiramente contra a Plenitude do Amor de Deus e contra o próprio Criador
As suas consequências perduram até hoje, quando justamente se estão vivendo até o fim os mais fortes fios dos destinos humanos como resultado de sua atuação, para que nisso possa ao mesmo tempo sobrevir uma nova edificação, que já vibra inteiramente na correta e abençoada corrente de todas as forças
E justamente a atual capacidade de compreensão de nós, homens na Terra, é por tudo isso deslocada para um nível que se pode chamar de resultado desesperador de todo o acontecer que até agora se desenrolou nas materialidades do universo
Pode-se falar de um atrofiamento intelectual do grau de consciência, que, com um desenvolvimento correto, poderia hoje estar num grau inteiramente diferente, que traria a cada um dos homens apenas um constante reconforto no conhecimento de tantas coisas que hoje não são de modo algum conhecidas dos homens
Contudo, em cada espírito humano que em seu íntimo é verdadeiramente vivo e ardente em sua volição abrangente para o bem reside a força para superar a nefasta influência, até agora vigente, da paralisia intelectual
Essa força espera apenas ser aproveitada para a ação, a despeito da oposição do intelecto que duvida, que constantemente obriga a uma fria sobriedade na atitude perante a vida
Não é difícil, se o espírito verdadeiramente quiser, em seu fervoroso anseio, ser ele mesmo também aqui na Terra
Em tudo deve arder a sua parte de entusiasmo pela prática do bem pequeno e grande, como testemunho de que o tentador, que se esconde nas dúvidas intelectuais e no escárnio de tudo o que é supraterreno e ressoa no íntimo do homem, está vencido
Aqui vale ao mesmo tempo também uma condição
Ninguém pode realizar esse avanço vitorioso por outro
O intelecto frio e calculista precisa ser vencido justamente e somente pelo próprio homem, por meio da força que se ergue em seu íntimo em direção ao Bem e à Luz
Pode parecer algo impossível, mas é mais do que fácil no momento em que no homem revive uma simplicidade infantil puramente alegre, oriunda do conhecimento da obra da Criação e de Deus, de cuja Vontade a Criação surgiu
Todo o saber que é concedido ao espírito humano deve ser aproveitado para o criar alegre
Onde ainda reinam a crítica e o julgar dos outros, ali o saber da Verdade não é usado de maneira correta e ali o espírito não governa sobre o intelecto
Onde, porém, o espírito governa, ali se avança a passos de gigante para o criar e o edificar do novo na busca de todas as formas puras de vida
E também somente para tal uso será acrescentada aos homens, também aqui na Terra, a nova força que se aproxima para os próximos meses
Através de todo o universo ressoa o chamado da Luz como portadora da vontade do Raio de Parsival, para que a consciência terrena dos homens se torne finalmente uma consciência plenamente espiritual
Nunca deveria ter sido de outro modo senão que os homens fossem habitantes da obra da Criação plenos de intuição
O terreno não deve ser separado do espiritual, mas justamente ao contrário, deve tornar-se inteiramente conduzido em todos os momentos pelo espírito do homem, isto é, pela volição intuitiva amadurecida do bem abrangente
Somente isso também pode ser considerado, ao mesmo tempo, como serviço a Deus
E ao serviço de Deus, ao verdadeiro culto divino, deve agora acorrer cada ser humano que realmente anseia por paz e harmonia em si e ao seu redor